quinta-feira, 24 de junho de 2010

Köln

Ainda no Brasil, antes de embarcar para Frankfurt, comprei uma passagem para ir para Colônia no final de semana, entre as minhas duas semanas de treinamento do KfW em Frankfurt. Escolhi Colônia porque meus colegas de trabalho da DEG (braço do KfW com sede nesta mesma cidade), me recomendaram e disseram que era muito bonita. Sem falar que não era muito distante de Frankfurt.

O único problema foi que eu comprei a passagem para a sexta-feira depois do almoço, logo depois que o programa da semana se encerraria. Eu só não contei que na quinta eu sairia com os colegas de treinamento e voltaria muito tarde. Resultado: acordei na sexta sem ter arrumado nada para a viagem e tive que ir correndo para o KfW, senão chegaria atrasado. Infelizmente, como comprei em uma tarifa promocional, não pude reaproveitar a passagem para o sábado. Mas foi melhor, curti a sexta-feira em Frankfurt, descansei e, no sábado, fui para Köln com calma.

Fui despreparado para conhecer a cidade, não quis me planejar muito e achei que seria uma ideia legal ir me surpreendendo com a cidade. A única coisa que eu sabia de Colônia era a sua famosa catedral. E foi a primeira coisa que fiz logo quando cheguei. A catedral fica bem do lado da estação de trem; saí do trem e, acidentalmente, fui direto conhecer o prédio cristão. Não sou muito ligado em religiões/supertições mas admito que a catedral era bem expressiva! Bem grande, alta, enorme, na verdade. O legal foi que após subir mais de 500 degraus, a vista do topo dela era sensacional! Dava para ver Colônia inteira.

Não havia me preparado mesmo, tanto é que quando desci da catedral me preocupei em arrumar uma cama para passar a noite. Fui na loja de informações turísticas e eles me recomendaram alguns albergues. Fui em dois e estavam lotados. Azar. No terceiro, depois de andar bastante pela cidade e me perder (senso de localização nota ZERO!), finalmente achei uma cama disponível: a última de um quarto com outras nove; a última de um grande albergue. Sorte.

Não sei por que mas estava um pouco preguiçoso este final de semana. Somado a isso o fato das ótimas cervejas alemãs, acabei ficando um bom tempo no balcão do bar do albergue tomando cerveja e pensando na vida. Eu sabia que logo voltaria para o Brasil e não poderia mais me deliciar com essas cervejas. Mas um homem não sobrevive só com cerveja, é preciso comer algo de vez em quando; meu estômago já estava roncando, então decidi voltar para a cidade e procurar algo para comer.

Impressionante como Colônia oferece bastantes bares e restaurantes. Perto do Rio Reno existem vários lugares para comer, beber e se divertir, um do lado do outro. É tanta coisa que chega a ser difícil de escolher. Depois de andar bastante acabei escolhendo um lugar onde poderia comer um prato alemão. Decidi por um Schnitzel com molho de cogumelos, acho nem preciso falar o quanto estava bom! Enquanto comia fiquei vendo o jogo da Copa EUA x Inglaterra: empate com uma gol pra cada time.

Como havia ligado pro David (coincidentemente ele também estava em Köln neste final de semana) e ele já havia marcado algo para a noite, acabei indo para uma baladinha que o Fernando, meu amigo do trabalho, havia indicado. Por sorte ela era bem do lado do albergue. Acho que se não fosse eu não teria ânimo de ir. No começo fiquei um pouco incomodado por estar sozinho, mas logo depois fiquei me divertindo olhando as pessoas, escutando os hits alemães (alguns são os mesmos que no Brasil), bebendo outra cerveja e conversando ora ou outra com pessoas que devem ter me achado solitário. Eu acho que eu realmente me diverti, quando cheguei no club, às 11 da noite, pensei comigo mesmo: "Ok, vou ficar aqui uma hora apenas e volto pro albergue." Acabei deitando na cama, que havia reservado horas antes, quatro da manhã passadas!

O problema foi na manhã seguinte. Ou melhor, na mesma manhã, porque quando estava voltando para o albergue me lembro que já estava ficando claro. Teoricamente era pra eu fazer o check-out até às 11 da manhã, porém, acabei acordando quase duas da tarde. Caramba! Tive que me despreender da teoria e passar para a prática para convencer a recepcionista a não me cobrar outra diária. No final tudo dá-se um jeito, eu acredito nisso, apesar de mencionar lá em cima que não sigo nenhuma supertição. Vai entender...

Ao sair do albergue, comi uma pizza turca na esquina e rumei para a estação. No trem fiquei vendo a paisagem, o trilho corre ao lado do Reno por um longo trecho. Muito bonito.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Frankfurt (1)

Tive sorte. Logo depois de começar a trabalhar para o KfW fiquei sabendo que meses depois do meu começo iria fazer uma viagem de duas semanas para Frankfurt com o intuito de conhecer melhor o banco, seus programas, projetos, relacao com o governo alemão, etc. Nas duas semanas, participei de dois programas diferentes: introdução sobre o KfW Entwicklungsbank e treinamento do Fundo de Carbono. Neste texto escreverei como foram os meus sete primeiros dias na capital financeira da Alemanha.

Frankfurt me impressionou desde o começo, primeiro porque a cidade é muito menor do que eu imaginava. Na verdade eu já sabia que Frankfurt tinha mais ou menos 700 mil habitantes quando deixei o Brasil, mas mesmo assim, na hora que comecei a andar pela cidade, achei que ela deveria ser maio. Maior porque é a capital financeira do principal país do bloco europeu. Ok, existem alguns arranha-céus, muito deles bem bonitos e imponentes, mas nada comparado a São Paulo ou até outras cidades menores brasileiras.

Por outro lado, Frankfurt me impressionou pela qualidade de vida que oferece a seus moradores ou aos de passagem, como eu. Existem diversos restaurantes internacionais, metrô espalhado pela cidade inteira (algo inédito para mim, se lembramos que a cidade não tem nem um milhão de habitantes)e o mais legal, muitas pessoas vão de bicicleta para o trabalho! É muito comum ver engravatados montados em suas bicicletas percorrendo as ruas de Frankfurt. Ou melhor, as calçadas. Em quase todas as calçadas da cidade existe uma faixa em vermelho destinada para os ciclistas; os pedestres precisam ficar atentos para não ser atropelados por algo sem motor!

Os meus colegas de treinamento foram os mais amigáveis e interessantes possíveis. Sem contar suas procedências: Iêmen, Bukina Faso, Madagascar, Indonésia, Egito, Palestina (achei que nunca encontraria alguém desta região), África do Sul, Ruanda, Índia e Casaquistão. Foi interessante que o KfW organizou algumas atividades extra-curriculares, como jogar boliche em uma noite ou o jantar de boas vindas no primeiro domingo. Me impressionei também como a maioria de nós ficamos bem íntimos logo nos primeiros dias; na quinta-feira, quando alguns já estavam se preparando para voltar para casa (aqueles que não teriam outro treinamento na semana seguinta), tratamos de nos reunir depois das palestras e ficamos conversando e bebericando algo para nos despedir.

Adoro esses encontros internacionais, é muito legal conversar com pessoas de todos os cantos do mundo sobre seus países, hábitos, governos, etc. Por exemplo, fiquei sabendo que vários países da África Ocidental possuem a mesma moeda, que me esqueci o nome porque tenho memória de peixe; fiquei sabendo como é o dia-a-dia na Autoridade Palestina e, para minha surpresa, é muito mais normal do que imaginava; confirmei com uma colega alemã que mora na Áfica do Sul há 20 anos que realmente o atual presidente deste país estuprou a filha de um amigo seu e confessou para todo país. Já havia lido sobre isso mas, tamanho o disparate, achei que o jornalista havia se confundido. Nosso governo é inacreditável, me disse ela.

Não é só o Brasil que pára em época de copa do mundo. A Alemanha também entrou no clima: todos os bares colocaram telões ou TVs nas calçadas para as pessoas acompanharem os jogos; muitos dos carros penduraram bandeiras para apoiar o país; pessoas andavam pintadas e festejando nas ruas. O único problema foi no jogo da Alemanha contra a Sérvia. Ninguém esperava uma derrota, eles se acanharam. Fiquei impressionado como os alemães gostam do Brasil. Um dia vi um menininho de uns 5 anos correndo com duas bandeiras na mão, uma da Alemanha, outra do Brasil. Outra hora vi um carro passando também com as bandeiras destes dois países. Quero só ver se o Brasil enfrentar a Alemanha em alguma etapa da Copa.

Não posso deixar de falar das palestras introdutórias sobre o KfW - Banco de Desenvolvimento. Não foi coincidência que todos os participantes vinham de países em desenvolvimento. Essa área do banco, a qual o Fundo de Carbono pertence, destina suas atividades somente nos países pobres ou emergentes. Teve uma palestra que explicou, por exemplo, o critério para decidir o tipo de projetos que cada país vai implementar. Eles podem ser desde eficiência energética e energia renovável (caso do Brasil) até infra-estrutura, educação ou combate à AIDS. Os tipos de financiamentos, estrutura e gestão dos projetos também foram apresentados. No final da semana estávamos entendendo o banco muito melhor do que quando chegamos em Frankfurt.

Até no Ministério Alemão de Cooperação Internacional, sediado em Bonn, nós fomos, para assistir uma palestra que explicava como o ministério trabalha com o KfW. Após a palestra, fomos para o Museu de História Moderna, que conta a história da Alemanha logo depois do final da segunda guerra mundial. O guia possuia um humor sutil e sabia muito sobre o tema. Interessante: a indústria alemã atual é muito moderna porque ao final da segunda guerra, quando o país estava dividido e ocupado, os países ocupantes - União Soviética, França, Ingraterra e EUA - levaram todos os maquinários para seus países. Só restou à Alemanha então, começar a reconstruir seu parque industrial e, como criaram tudo do novo, sua indústria ficou moderna. Até hoje.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Em Belo Horizonte: uma Campo Grande expandida

Como entusiasta das obras de Niemeyer, não tinha como não gostar de Belo Horizonte, que serviu, a pedido de JK, então governador de Minas Gerais, como ensaio e preparação para o grande arquiteto brasileiro construir a então nova capital federal. Prédios, edifícios e casas com a sua assinatura estão espalhados por toda BH, mas aonde se pode perceber realmente o exercício para o posterior desafio de Brasília é no bairro da Pampulha. O que eu mais gostei foi da pequena Igreja, embora o Museu de Arte e Casa do Baile sejam também interessantes; uma pena que estavam fechados.

Belo Horizonte é uma cidade muito arborizada e planejada. Por isso a lembrança da minha natal Campo Grande, que apesar de bem menor, tem uma grande semelhança com a capital de Minas Gerais. As ruas centrais, como em Campo Grande, são todas quadriculadas, mas as de BH estão dispostas em ângulo de 45 graus com as grandes avenidas. A princípio achei que a disposição dificultaria muito o trânsito, mas não na verdade. Falando em trânsito, as pessoas na capital mineira têm horror ao aglomerado de veículos nas ruas. Pequenos engarrafamentos são encarados como o fim do mundo, algo que em São Paulo quase ninguém se incomodaria.

Um lugar bem interessante no centro de Belo Horizonte é o bairro Savassi, onde fiquei andando um dia que estava esperando a Raquel – minha anfitriã – sair da faculdade pra gente voltar pra casa dela. Na Savassi existem várias livrarias, bares, lojas despojadas e restaurantes. Apesar de estar incrustada no centro da cidade, possui uma aparência muito bonita e atmosfera leve. Deve ser bem legal sair à noite nesta região, mas não tive oportunidade. Porém, oportunidade eu tive de conhecer o Mineirão e assistir um jogo amistoso (demais de amistoso, por sinal) entre a seleção da África do Sul contra o Cruzeiro. Placar: o mais entediante do mundo, zero a zero. Valeu pra conhecer o Mineirão.

Conheci também alguns museus e casas de cultura nesta cidade como, por exemplo, o Museu de Artes e Ofícios, patrocinado por uma mulher ligada à construtora Andrade e Gutierrez. Se não me engano ela doou quase todo o acervo pessoal pro museu. É interessante porque vários dos ofícios são relacionados com a região ou estado de Minas Gerais. Já o pequeno museu Abílio Barreto, onde se localizava a primeira fazenda de Belo Horizonte, conta um pouco da história da cidade, que, como Campo Grande, tem pouco mais de cem anos. Mas o que mais gostei foi de ir, ao acaso, ao IMS, localizado no centro. Estava acontecendo uma exposição com fotos em PB do Otto Stupakoff, muito marcantes!

Gostei bastante também de ir com a Raquel, que estuda Medicina na UFMG, de conhecer o campus da faculdade federal. Almoçamos por lá em um dos vários e diferentes restaurantes oferecidos e logo depois do almoço, em uma tenda no meio da faculdade, estava tocando uma banda muito legal, tinha até instrumento de sopro, o som era muito original. Uma pena que tivemos que ir embora porque a Raquel tinha aula no outro campus da faculdade logo depois.

No ônibus que me levava pro longíssimo aeroporto de Confins, prestei atenção para achar a tão comentada pelos mineiros e recém-inaugurada cidade administrativa de Minas Gerais. São três grandes prédios – um deles o auditório – que abrigam agora as secretarias, palácio do governo e outras repartições. A arquitetura é muito marcante, e o arquiteto responsável pela obra, como esperado, foi o Oscar Niemeyer. O que me chamou muito a atenção é que um dos grandes prédios está pendurado por cabos, que devem ser de aço. É como um MASP, porém pendurado e não tocando os grandes pilares que dão suporte aos cabos. Só vendo.

Um pouco antes de embarcar, fiquei vendo aviões tocando o chão ou se descolando dele; nunca me canso disso. Alguns minutos depois foi a minha vez de decolar.

(Quase) Do Oiapoque ao Chuí: de Manaus a Porto Alegre

Logo depois de voltar do Rio de Janeiro, onde tive muito azar com o tempo e aproveitei pra fazer passeios diferentes do que se espera de uma cidade como o Rio, embarquei para Manaus. O vôo demorou menos do que eu esperava, três horas e pouco, e quando cheguei à capital amazonense, senti na pele – literalmente – o estafante calor desta cidade. Já que toquei no tema calor, não posso deixar de mencionar: é impressionante como o calor de Manaus incomoda. É um calor diferente, gruda na pele, impregna. Tudo bem, Manaus também não colaborou, o primeiro dia foi o mais quente dos seis que eu fiquei lá e, à noite, conversando com a Raquel no apartamento dela, a energia acabou e o ar condicionado parou! Não faltou mais nada.

Manaus é uma cidade ímpar, não tem como não ser: está no meio da Amazônia, cercada por rios, aguapés e muita floresta, distante de todos os outros pólos brasileiros. Todos os caminhões que chegam a Manaus precisam pegar, de Belém, uma balsa que demora mais ou menos três dias para chegar. Outra coisa que me chamou a atenção também foi o orgulho dos manauaras com a cidade natal. Manaus funciona também como um imã estadual, assim como a maioria das capitais, atraindo muitas pessoas em busca de oportunidades e uma vida mais promissora; com a única diferença que para chegar a Manaus, o transporte utilizado geralmente são as chalanas ou barcos, em vez de ônibus ou carros.

Culturalmente, Manaus tem muito a oferecer, e, de muitas atrações, é possível relacionar com o famoso e rico ciclo da borracha que ocorreu nesta mesma cidade há mais ou menos 100 anos. Grandes exemplos são: o Teatro Amazonas, lindo lugar construído na época do apogeu de Manaus e há pouco revitalizado; Palacete Provincial, anexo que engloba a pinacoteca e outros museus, com destaque para os quadros modernos com temas regionais; Palácio Rio Negro; Ponte Benjamim Constante, etc.

Estando no meio da Floresta amazônica não pude deixar de ir para um hotel na selva. Na verdade quem realmente possibilitou esse passeio foi o Fabian, amigo do meu tio, que como já havia trabalhado no Ariaú – um dos hotéis de selva mais famosos em Manaus com uma estrutura toda em palafitas de tirar o chapéu – consegui um super desconto pra mim, Raquel e Bruna, amiga da Raquel que também aproveitou a ocasião para ir visitá-la. A experiência foi incrível, o hotel é muito extenso e só o fato de estar no meio do nada, do verde, faz do lugar muito interessante. Sem contar as comidas típicas servidas no almoço e jantares, os passeios como focagem de jacaré e caminhada na selva, etc. Ficamos pouco, dormimos só uma noite, mas foi muito interessante pra conhecer a selva.

Outro passeio típico de Manaus é o Encontro das Águas, onde o Rio Negro encontra o Solimões. Eu e a Bruna fomos de ônibus até o CEASA (muito longe!) e fizemos o passeio com um piloteiro simpático. Depois, como estava na hora do almoço, acabamos comendo em um restaurante bem simples perto do CEASA mesmo. Claro, comemos peixe e tomamos tubaína, muito bom!

Notei também que em Manaus, apesar de ser perceptível sua população humilde e pobre, existem muitas pessoas ricas. É muito comum encontrar carrões importados nas ruas e existem diversos lugares finíssimos, como o Shopping Manauara ou alguns bares.

No meu último dia, acordei e fui direto pro aeroporto, meu vôo saía na hora do almoço mais ou menos. Estava muito cansado de tanto ter perambulado pela cidade e conhecido tantos lugares. Estava também um pouco aliviado de dizer adeus àquele calor estafante, subumano. Cheguei em Indaiatuba no final da tarde e fui jantar na Casa da Esfiha com a família e o Daniel. Já estava com passagem marcada para embarcar no dia seguinte pra Porto Alegre, extremo sul do país. No restaurante mesmo liguei pro Odécio e perguntei se tinha como ficar hospedado na casa dele. Claro, ele me disse. Ótimo!

***

Porto Alegre é muito diferente de Manaus, em todos os aspectos: população, paisagem, clima, desenvolvimento, etc. Não quero aqui, porém, comparar as duas capitais, são diferentes e pronto. Achei bem interessante em menos de 24 horas sair do extremo norte e ir para o extremo sul brasileiro. Diferente de Manaus, já havia estado em POA antes desta viagem. Esta segunda vez foi importante pra me confirmar a impressão que eu tinha da capital gaúcha: uma cidade muito interessante e agradável, provavelmente um lugar muito bom pra se viver, tirando o orgulho cego e irritante dos gaúchos.

Foi muito legal rever pessoas que eu não via há muito tempo, como o Odécio e o pessoal que morou comigo em Londres: Cláudia, Thiago e Gabriel. Com os últimos, saí uma noite em um bar muito legal de um bairro agitado de Porto Alegre; ficamos conversando horas a fio sobre nossas experiências em Londres e o que fizemos depois que nos separamos, após o regresso individual de cada um de nós para nossa terra. Do Odécio eu não preciso falar nada, continua a mesma figura de sempre, incrível!

Como da primeira vez, fui à Usina do Gasômetro e vi o pôr do sol no Guaíba, indescritível. Indescritível também o louco que ficou resmungando e praguejando do meu lado enquanto eu tirava foto do rio engolindo o sol, mas foi só olhar com cara de bravo pra ele que ele sumiu rapidinho. Também fui aos inúmeros sebos da Rua Riachuelo e comprei uns quatro livros: dois do local Bettega, um do paranaense Luis Henrique Pellanda (ótimo!) e um do turco Orhan Pamuk. Impressionante como esta cidade tem sebos, o pessoal do sul deve ler muito mesmo.

Repeti também os passeios no parque da Redenção, onde fiquei lendo a Piauí do mês por muito tempo; cada de cultura do Mário Quintana, onde descobri um bar/café no último andar que igualmente como a Usina, tinha uma vista espetacular do Guaíba; e almoço no Mercado Público: um prato com bife + Serra Malte. Do que mais eu precisava?

No último dia acordei e já rumei pro aeroporto de trem. Almocei no aeroporto mesmo e chegando no Viracopos, peguei um ônibus da Azul pra São Paulo pra ir com a Danusa no aniversário da prima dela.

sábado, 24 de abril de 2010

Futurama

Comecei a trabalhar dia 1° de Abril: dia da mentira e véspera de feriado. Tinha tudo para dar errado, até estava achando que meu chefe iria me pregar uma peça. Entretanto, talvez por ele ser alemão, a estréia se consumou verdade. Desde então, estou utilizando o ônibus para chegar do apartamento da Danusa - onde estou ficando provisoriamente - até o escritório do KfW, em Santo Amaro. Como o trajeto é longo e dificilmente consigo lugar para sentar, o que me impossibilita de ler um livro, fico pensando muito sobre a vida, divagando e observando o que acontece à minha volta. Além, claro, de conferir toda vez quanto tempo gasto da Av. 9 de Julho, perto do tunel que cruza a Paulista, até a Rua José Guerra com a Verbo Divino. (São mais ou menos 45 minutos na ida e 55 na volta, se não chover).

Por causa da minha nova rotina, que expliquei acima, tive uma ideia que ajudaria os milhares de cidadãos que utilizam tranporte público em São Paulo: todos os ônibus, após passar por seus respectivos pontos de paradas, emitiriam um sinal para que o sistema central soubesse onde qualquer ônibus se encontra em qualquer hora do dia ou da noite. Acho que isso já até existe, por causa das placas em alguns pontos que estimam em quanto tempo cada ônibus chegará. Portanto, a grande sacada seria interligar o monitoramento dos ônibus com potenciais serviços oferecidos aos usuários. Um deles seria, após o cadastro de cada indivíduo no sistema informando certas peculiaridades, ser avisado, através de uma mensagem no celular, que o ônibus escolhido está chegando em 5 minutos no ponto de embarque. Isso ajudaria, e muito, para cada um poder se programar e sair de casa na hora certa, para não ter que ficar esparando muito tempo até o próximo ônibus passar.

Conversando com a Danusa sobre a minha ideia, percebi que ela achou muito improvável a implementação desse sistema. Não por falta de tecnologia disponível no mercado, tenho certeza. A rádio Oi FM já conta com um serviço que quando um ouvinte escuta uma música que gosta mas que nao sabe o nome do cantor, é só mandar uma mensagem para a central da rádio que segundos depois, outra mensagem é devolvida com os detalhes da música. Do universo da música para o do transporte não deve ser um salto muito grande.


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Como amante dos livros, algumas revistas e jornais impressos, ultimamente tenho pensando muito a respeito do fim do papel. Pessoas como eu têm muitos motivos para se preocupar: a meta do Bill Gates é morrer depois da mídia expressa e vem batalhando arduamente para isso; quase todo mês um novo eletrônico como o Kindle ou iPad é lançado; grandes livrarias já contam com inúmeros exemplares de livros digitais, sendo que algumas delas já faturam mais com a versão eletrônica do que com a tradicional.

Porém, a pergunta que não quer calar é: "quando realmente o papel vai acabar?" Confesso que sou um pouco pessimista, apesar de ainda hoje nunca ter visto alguém lendo um livro digital, acredito que a tranformação será mais ou menos da magnitude da ocasionada com a internet ou telefone celular: disseminação com a velocidade de uma praga.

A vinda de livros digitais para nossas vidas traz, sim, alguns benefícios, como por exemplo de ordem prática ou ambiental. Os livros, teoricamente, ficariam muito mais acessíveis para a população, devido ao fato de seu conteúdo ser apenas intelectual e não material. Apesar dos e-books consumirem energia elétrica, milhares de árvores seriam poupadas com a diminuição ou extinção da fabricação de papel. Entretanto, com esta modificação, celeumas de ordem autoral, como já vivenciados pela indústria fonográfica, serão inevitáveis.

Fato é, eu não me importo com as possíveis vantagens ou desvantagens que um livro digital traz, eu só quero continuar a ter o prazer e experiência de poder ler algo que realmente está nas minhas mãos, poder tocar o papel onde o conteúdo está impresso e, quando acabar a leitura, colocar o livro na prateleira. Existe melhor decoração que uma prateleira recheada de livros?

É justamente por isso que toda vez que leio uma notícia relacionada com esses acessórios incovenientes, passo a pensar, com medo, até que ponto o papel resistirá.

Passaporte Azul e a minha segunda vez no Rio

As condições eram propícias, ou melhor, as melhores: uma promoção da Azul que me permitiria voar ilimitadamente durante o mês todo de março para quanquer destino no Brasil. Justamente quando acabara de saber que começaria a trabalhar somente no início de abril. Perfeito, comprei o passaporte na hora!

Escrevo este texto no final de abril, após ter viajado para 6 capitais brasileiras, algumas já conhecidas, outras que agora se tornaram. Um ótimo investimento com altíssima taxa de retorno cultural e emocional.


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Na primeira vez que fui para o Rio de Janeiro, não há muito tempo, fui impressionado pela mistura do urbano com o verde, algo que até já comentei neste espaço. Desta segunda vez, apesar de ter ficado mais ou menos a mesma quantidade de dias de quando conheci a Cidade Maravilhosa, as condições meteorológicas foram totalmente diferentes: tempo nublado com chuvas ocasionais. Pelo menos não me arrisquei a pegar o bondinho para o Pão de Açúcar, melhor assim. E, justamente por causa do tempo, fiz passeios que poucas pessoas fariam ao visitar o Rio de Janeiro pela segunda vez. Andei muito pelo centro, conheci a Biblioteca Nacional, Praça da Cinelândia, CCBB, Instituto Goethe, etc.

O sufoco foi chegar na casa do Moita logo após pousar na capital carioca. O voo era para o Santos Dumond mas, por causa do já comentado mau-tempo, acabou pousando no Galeão, muito mais longe do ap. que eu precisa chegar. O píor: quando cheguei, meia-noite passada, não havia nenhum ônibus shuttle que faria o trajeto aeroporto-centro; a corrida de taxi estava também fora de cogitação. Portanto, como tudo dá-se um jeito (minha filosofia primordial), a Azul acabou fornecendo uma van que fez o trajeto Galeão-Santos Dumond. Chegando no aeroporto previsto, me enturmei com outras pessoas também surpreendidas com a mudança do aeroporto de chegada e, por sorte, algumas delas não só estavam indo para Copacabana também, como para a mesma rua do apartamento do Moita, a Barata Ribeiro. Maravilha! Final das contas: uma "colega de taxi" acabou pagando a corrida toda e eu, que inicialmente iria gastar R$ 4,00 para ir de ônibus do Santos Dumond a Copacabana, não gastei absolutamente nada para fazer um trajeto muito maior!

Quando cheguei no ap. o Moita ainda estava acordado. Dei-lhe de presente uma garrafa de vinho, que foi consumida no mesmo instante. Ficamos conversando na sala até umas 4 da manhã, tínhamos muitas coisas pra falar, lembranças da época de Londres, a vida no Rio e interior de São Paulo... Um bom amigo.

Encontramos no dia seguinte a Helena, amiga da Danusa que estava passando uma temporada no Rio na casa do pai. Fomos pra um bar num bairro dentro de Copacabana, não me recordo do nome. Estavam presentes também umas amigas e amigos da Helena, a conversa foi bem agradável. Na despedida, combinamos de nos encontrar no dia seguinte no Leblon mas acabaou não rolando. Fui com o Moita mesmo na banca 24 horas da piauí e comprei três exemplares antigos. É, realmente, uma piauí por mês não estava sendo suficiente.

Outro passeio que gostei bastante de fazer foi a ida ao bairro de Santa Tereza com o bondinho. O bairro fica num morro e tem como característica suas vielas e comércio colorido, por causa dos turistas. Como a Helena havia recomendado, fui conhecer uma livraria pitoresca no alto da rua. A vista para o centro e praias do Rio era muito legal também e só me faltou ter visto um filme no estreito cinema que fica no miolinho de Santa Tereza, mas estava sem tempo. Precisava voltar para pegar o voo.

Cheguei em Viracopos no meio da noite e fui pra casa dormir. Na manhã seguinte já estava com outro voo marcado, desta vez para Manaus!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A loja de Kebab

Faz algum tempo percebi que tenho um sonho, ou melhor, uma vontade: abrir uma loja que venda kebabs, os famosos e deliciosos lanches turcos, ainda muito mal-vistos aqui no Brasil. Falando no Brasil, temos aqui dois problemas maiores em relação à venda dos kebabs: ou eles são muito baratos e, consequentemente, de ruim qualidade (os famosos churrascos-grego vendidos no centro de São Paulo); ou são muito caros e vendidos em restaurantes chiques, o que, curiosamente, não assegura que os lanches sejam tão saborosos como na Turquia ou Europa. Portanto, percebi eu, existe uma grande (e promissora) lacuna a se explorar.

Minha paixão pelos kebabs (existem diferentes tipos, ainda mais se considerarmos que cada país tem sua particularidade na preparação dos mesmos) começou quando fui morar, pela primeira vez, na Europa. Na época, ao ser apresentado ao famoso lanche pelo Florian, meu irmão hospedeiro no meu intercâmcio na Suíça, lembrei imediatamente dos famigerados churrascos-grego e descartei a ideia de experimentar a versão suíça do lanche turco. Porém, como fiquei por lá por um ano cheio, tive a oportunidade de vencer o preconceito e experimentar o tão famoso kebab. Antes mesmo de terminar o lanche, percebi como tinha sido ignorante e cabeça-dura: o kebab era uma delícia!

Após meu ano na Suíça, retornei ao Brasil e senti muita falta do kebab. Só fui ter oportunidade de saborear de novo o lanche de carne de carneiro nas outras vezes que estive na Europa ou Turquia. E, novamente no Brasil, não conseguia entender por que os kebabs não se popularizavam por aqui. Até que descobri que haviam sim, outras possibilidades senão o churrasco-grego. Conheci duas kebaberias em São Paulo: uma na Rua Augusta e outra perto deste rua. Os lanches foram exemplarmente preparados, mas na hora de comer, não me faziam lembrar os da Europa. Faltava alguma coisa. E o pior, eram caros.

Foi aí que comecei a pensar que uma loja que vendesse o "kebab intermediário" poderia se dar muito bem. Comecei a pensar então em todas as diferentes variáveis e dificuldades que poderiam aparecer na concepção, criação e manutenção de tal loja/restaurante. A primeira coisa que pensei foi onde instalar tal loja. A resposta veio rápido na minha cabeça: na Augusta, rua agitada e jovem de São Paulo repleta de opções noturnas. Não acho que o fato de outros dois restaurantes de kebabs estarem instalados na mesma região atrapalharia, até porque o conceito seria diferente. Penso que o kebab precisa ser ainda popularizado entre nós brasileiros. Apesar de ter surgido essa primeira onda de invasão de kebaberias, poucas pessoas que conheço tem o costume frequentá-las; a horrível imagem do churrasco-grego ainda atrapalha muito.

Outro problema a ser superado, de origem técnica, seria a preparação dos grandes espetos com carne de carneiro e se isso não sairia muito caro. No Brasil temos o costume maior de comer carne bovina, então é preciso analisar se seria viável a comercialização dos lanches com a carne de carneiro. Outra alternativa seria a carne de frango, também utilizada no exterior. A carne bovina, apesar de mais acessível, não constituiria, ao meu ver, uma opção para o kebab.

Seria interessante que o restaurante fosse um lugar agradável e moderno, mesmo que pequeno. Acho que seria legal usar o mesmo molde e esquema de venda do Tolocos, restaurante mexicano também localizado na Augusta. Compra-se o lanche e bebida no caixa, e com uma ficha, retira-se no balcão onde tudo é preparado. Sem cozinha interior, tudo preparado na hora e na frente do cliente; como na Europa ou Turquia. Seria interessante vender outros salgados turcos, como a pizza turca, por exemplo. A pizza turca é uma esfiha em forma de barca. O problema é que para isso um forno se faz necessário e a preparação da massa e recheio consumiria espaço e tempo. É uma questão a se pensar bastante ainda.

Voltando a falar do desing e marketing do restaurante, até o nome eu já tenho na cabeça: Istambul - culinária e cultura turca. Para criar uma identidade do nome com o local, fotos de lugares, escritores e temas relacionados à cultura turca seriam pendurados na parede. Estariam lá o Orham Pamuk, as imponentes mesquitas, o comércio turco, talvez alguns jogadores de futebol... Em preto e branco ficaria legal.

Ainda tenho muito a pensar e desenvolver sobre este ato empreendedor que me acometeu algum tempo atrás. Na verdade acho que já andei pensando até demais. Mas os sonhos são assim, não custa nada tê-los e já que se vai sonhar, é melhor sonhar grande.