Sem eu perceber minha pequena estada em Frankfurt havia chegado ao fim. Quando dei conta, já me encontrava na última semana e estava cheio de coisas para fazer, já que estava acontecendo o treinamento anual do fundo de carbono, mas também precisava resolver algumas outras pendências. Tirando o chinês e a indiana, vários outros colegas chegaram para passar esta semana e discutir sobre nossa atividade dentro do banco.
Devido ao incerto mercado de carbono atual, o ânimo dos colegas nao estava lá entre os melhores, mas mesmo assim nos reuníamos para fazer alguma coisa depois das várias apresentações e discussões diárias. Fomos um dia a um restaurante mexicano, no outro comemos comida persa (fiquei um pouco desapontado), nos encontramos em cafés alemães. Acho sempre muito legal estar em um meio internacional, cheio de pessoas diferentes com origens distintas: China, Argentina, Indonésia, Índia, Quênia, Filipinas.
Outra coisa divertida que fizemos, organizada pelo banco especialmente para nosso encontro, foi andar por Frankfurt com uma Bier Bike. Do tamanho de uma mesa grande, nesta bicicleta (maior que muitos carros) 10 pessoas pedalam ao mesmo tempo enquanto outras 6 pessoas ficam sentadas sem precisar se enforcar. No meio, onde estão localizados o barril de chope e outras bebidas, fica uma pessoa cumprindo a função de garçom e servindo os pequenos atletas. Uma pessoa da empresa fica no comando da grande e engraçada bicicleta. Por onde passávamos atraíamos olhares risonhos das pessoas, que nos acenavam, tiravam fotos, comentavam. Até metade do passeio eu pedalei como um camelo, a pedalada era muito pesada. Fizemos um pit-stop e mudei minha função para garçom da turma. Me saí bem, servir era muito mais fácil e divertido que pedalar.
No último dia foi organizado um outro passeio, desta vez mais tranqüilo mas não tão divertido. Andamos de barco pelo Rio Main, que corta Frankfurt, durante mais ou menos uma hora. Ficamos conversando mas ninguém se encantou muito com a paisagem. Muito menos eu, que dias antes havia feito outro passeio de barco com meus pais pelo Reno, que é muito mais interessante.
Reservei o sábado (último dia) para fazer um pouco de compras. Por compras leia-se, por favor, lembranças para amigos e encomendas, já que eu nunca compro algo para mim mesmo. Minha ideia era comprar mais um livro para ler no Brasil, mas como acabei dormindo tarde adentro, acabei ficando sem tempo de ir à livraria. Sentiria na pele, horas depois, no voo, as conseqüências de ter tirado esta soneca prolongada durante a tarde. Se dormi por uma hora no apertado avião, acho que foi muito.
Em resumo, o breve tempo que passei na Alemanha foi muito proveitoso. Principalmente no começo, trabalhei bastante e não tive muito tempo para fazer programas particulares durante a semana. Pelo menos nos finais de semana consegui aproveitar mais, viajar um pouco, conhecer novos lugares, encontrar com pessoas conhecidas e me divertir.
É de se espantar o nível de organização e riqueza da Alemanha, mesmo ficando por quase dois meses neste país, não cansava de ter novas experiências que me mostravam, cada vez mais, um pouco mais da Impossible Germany. Sem contar o tempo, perfeito, agradável, que também contribuía, segundo um amigo meu, para que os alemães também ficassem mais simpáticos.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
A Augusta de Frankfurt
Há alguns dias, indo do meu apartamento para o local onde meus pais estao hospedados aqui em Frankfurt, acabei descobrindo a Rua Augusta de Frankfurt. Perto da estacao de trem (incrível como estes redutos decadentes sempre ficam perto de uma estacao de trem ou rodoviária) e muito parecida com a via brasileira, a rua sem-vergonha está cheia de avisos luminosos, prostitutas na rua, inúmeras casas de sauna e caca-niqueis. Andando por ela já presenciei algumas cenas estranhas como apertos de mao demorados, consumo de drogas pesadas e até um cara estranho, sem camiseta, com a calca caindo, atrapalhando a janta de alguns clientes de um restaurando ao lado do antro. O garcom que nao ficou nada satisfeito. Uma vez, vi dois policiais caminhando pela rua como se tudo fosse normal, como se estivessem na Avenida Paulista. Como na rua de mesma funcao da maior cidade brasileira, a vida careta está bem ao lado da vida do excesso, dividida por fronteiras quase invisíveis. De repente as boates e casas de show acabam, dando lugar a restaurantes para turistas comportados e até chiques. Tem coisas que sao iguais no mundo todo.
Sobre pepinos assassinos e outros acontecimentos
Desde meu último texto algumas coisas novas aconteceram aqui na Alemanha. Primeiro uma colega da Índia chegou aqui em Frankfurt e depois um colega da China. Os dois também vieram um pouco antes da semana internacional de treinamento do fundo (semana que vem) para vivenciar um pouco mais o trabalho aqui na central. Outros dois visitantes também chegaram nos últimos dias, desta vez do Brasil: meus pais! Eles vao ficar aqui até semana que vem.
Automaticamente tenho tido muito mais coisas pra fazer fora do escritório. Tenho tentado sair do trabalho um pouco mais cedo e encontrar meus pais em algum lugar da cidade, no meu apartamento ou no deles. Eles estao encantados com o silêncio e organizacao de Frankfurt, pra nao falar da comida. Na sexta-feira passada fui com eles para o parque/jardim Palmenhof Garten, que fica ao lado do trabalho. O lugar é muito bonito, com várias estufas simulando a flora de diversas regioes do mundo. Muitas flores e plantas também, um lugar ótimo para dar uma passeada.
Os colegas alemaes do trabalho estao sendo simpáticos, sempre tem um que convida pra fazer alguma coisa, ainda mais agora que a indiana e o chinês também estao aqui. Outro dia mesmo fomos a um restaurante típico alemao, comi o maior joelho de porco da minha vida! Saindo do restaurante, achamos uma estante pública cheia de livros. Funciona assim: qualquer um pode pegar um livro pra ler mas, de preferência, tem que depositar um livro na estante. Até os alemaes ficaram espantados que tal aparato funcione nesses tempos de vandalismo.
No final de semana, nossa chefe também nos convidou para ir tomar café da manha em uma padaria perto do hotel em que estamos ficando. Foi muito divertido, ela também levou o filho dela, ele nao tem nem dois anos ainda e é engracado. A padaria é maravilhosa: francesa, cheia de paes deliciosos, sanduíches e doces. Claro que comi o típico croissant. Depois da padaria encontrei meus pais e ficamos caminhando na beira do rio, todo sábado tem uma feira de usados, aqui literalmente chamada de feira das pulgas. Nao tinha muita coisa interessante mas valeu a pena para comprar copos de cerveja e um livro de fotos do Van Gogh.
Faz algum tempo que nao como salada aqui, um vírus, que ja matou mais de 10 pessoas no país, está se espalhando pela Alemanha (país com maior caso de óbitos) e Europa. Provavelmente veio da Espanha, através de pepinos orgânicos. O KfW suspendeu há algumas semanas a salada e verduras cruas do cardápio. As autoridades estao agora confessando que a situacao está mais séria do que antes imaginada. Ainda bem que nao é algo como a doenca da vaca-louca, se suspendessem a carne do cardápio eu iria ficar doido!
Automaticamente tenho tido muito mais coisas pra fazer fora do escritório. Tenho tentado sair do trabalho um pouco mais cedo e encontrar meus pais em algum lugar da cidade, no meu apartamento ou no deles. Eles estao encantados com o silêncio e organizacao de Frankfurt, pra nao falar da comida. Na sexta-feira passada fui com eles para o parque/jardim Palmenhof Garten, que fica ao lado do trabalho. O lugar é muito bonito, com várias estufas simulando a flora de diversas regioes do mundo. Muitas flores e plantas também, um lugar ótimo para dar uma passeada.
Os colegas alemaes do trabalho estao sendo simpáticos, sempre tem um que convida pra fazer alguma coisa, ainda mais agora que a indiana e o chinês também estao aqui. Outro dia mesmo fomos a um restaurante típico alemao, comi o maior joelho de porco da minha vida! Saindo do restaurante, achamos uma estante pública cheia de livros. Funciona assim: qualquer um pode pegar um livro pra ler mas, de preferência, tem que depositar um livro na estante. Até os alemaes ficaram espantados que tal aparato funcione nesses tempos de vandalismo.
No final de semana, nossa chefe também nos convidou para ir tomar café da manha em uma padaria perto do hotel em que estamos ficando. Foi muito divertido, ela também levou o filho dela, ele nao tem nem dois anos ainda e é engracado. A padaria é maravilhosa: francesa, cheia de paes deliciosos, sanduíches e doces. Claro que comi o típico croissant. Depois da padaria encontrei meus pais e ficamos caminhando na beira do rio, todo sábado tem uma feira de usados, aqui literalmente chamada de feira das pulgas. Nao tinha muita coisa interessante mas valeu a pena para comprar copos de cerveja e um livro de fotos do Van Gogh.
Faz algum tempo que nao como salada aqui, um vírus, que ja matou mais de 10 pessoas no país, está se espalhando pela Alemanha (país com maior caso de óbitos) e Europa. Provavelmente veio da Espanha, através de pepinos orgânicos. O KfW suspendeu há algumas semanas a salada e verduras cruas do cardápio. As autoridades estao agora confessando que a situacao está mais séria do que antes imaginada. Ainda bem que nao é algo como a doenca da vaca-louca, se suspendessem a carne do cardápio eu iria ficar doido!
domingo, 1 de maio de 2011
Frankfurt, Mainz e Wiesbaden
Final de semana solitário mas proveitoso. Reservei o sábado para conhecer um pouco mais de Frankfurt. Por conhecer leia-se andar igual um camelo. Meu pé já está todo dolorido e com algumas bolhas, e olha que meu tênis é confortável. Sem molas ou bolhas embaixo do calcanhar, mas mesmo assim confortável.
O centro velho da cidade está limitado, por um lado, pelo rio, e na área remanescente, por um corredor verde em forma de U. Andei pelo corredor quase todo e acabei chegando no rio. É muito legal caminhar pelo rio, ainda mais nos finais de semana, quando ele fica cheio de pessoas, também caminhando, conversando, sentadas tomando alguma coisa. Antes da caminhada, na manha do sábado, eu fui pra um pequeno parque perto do apartamento, que havia descoberto na sexta. Fiquei lendo um livro e tomando um pouco de sol, quem diria.
Falando em livro, depois desta caminhada no corredor verde da cidade, fui a uma livraria, já que estava acabando o livro que estava lendo. O intuito era comprar outro livro, mas, como quase sempre, saí da loja com três deles! Um de um escritor alemao, que retrata a Alemanha reunificada, ou melhor, tentando se reunificar e criar uma indentidade nacional única, logo após a queda do muro de Berlim. O outro, um romance de um escritor italiano, nao parece ser nada espetacular, comprei pelo impulso mesmo, já que estava bem barato. O último, um pouco diferente dos dois primeiros, sobre as novas potências China e Índia, parece ser bem interessante.
Hoje, domingo, resolvi conhecer duas cidades aqui perto de Frankfurt. Primeiro fui até Mainz, que fica à margem do Reno. Trinta minutos de trem, divididos entre a leitura do livro sobre a Alemanha pós-muro, que citei acima, e olhadelas nos avioes que estavam pousando em Frankfurt. O turismo foi do jeito que eu gosto. Cheguei na cidade sem saber quase nada sobre a mesma ou o que ver. Como o posto de informacoes turísticas estava fechado (a Alemanha pára aos domingos), pedi informacao a uns policiais, que me indicaram ir caminhando pelo trilho do tram. E assim fui, seguindo as linhas de ferro, só falou jogar migalhas de pao pelo caminho, como naquela história da casa feita de doces. Deveria ter feito isso, já que me perdi umas quinhentas vezes depois.
Mainz, como quase todas as cidades que já estive aqui, é um lugar interessante e agradável. Claro que o tempo quase-verao ajuda muito, mas o centro histórico é bem legal mesmo. Outro lugar que gostei, um pouco afastado da cidade velha, é um parque com umas contrucoes bem antigas, da época dos romanos. Achei este lugar porque me perdi, mas se perder, quando conhecendo uma cidade, até que pode ser útil. Resumindo, fiquei perambulando pela cidade sem muito objetivo.
Comi um kebab enorme e apimentadíssimo (turco safado) e fui para Wiesbaden, que é a capital do estado de Hessen, onde também está Frankfurt. Depois de Mainz, meu nível de curiosidade já estava um pouco raso e, aliado à dor dos meus pés, acabei nao andando muito por esta cidade. Logo depois da estacao de trem havia um parque/jardim bem grande, onde fiquei deitado lendo o livro. O único problema é que nao levei minha câmera fotografica, ela está sem bateria e o carregador, obviamente, segundo Murphy, nao entra nas tomadas daqui. Ainda bem que nao sou de ver as fotos depois que tiro.
O centro velho da cidade está limitado, por um lado, pelo rio, e na área remanescente, por um corredor verde em forma de U. Andei pelo corredor quase todo e acabei chegando no rio. É muito legal caminhar pelo rio, ainda mais nos finais de semana, quando ele fica cheio de pessoas, também caminhando, conversando, sentadas tomando alguma coisa. Antes da caminhada, na manha do sábado, eu fui pra um pequeno parque perto do apartamento, que havia descoberto na sexta. Fiquei lendo um livro e tomando um pouco de sol, quem diria.
Falando em livro, depois desta caminhada no corredor verde da cidade, fui a uma livraria, já que estava acabando o livro que estava lendo. O intuito era comprar outro livro, mas, como quase sempre, saí da loja com três deles! Um de um escritor alemao, que retrata a Alemanha reunificada, ou melhor, tentando se reunificar e criar uma indentidade nacional única, logo após a queda do muro de Berlim. O outro, um romance de um escritor italiano, nao parece ser nada espetacular, comprei pelo impulso mesmo, já que estava bem barato. O último, um pouco diferente dos dois primeiros, sobre as novas potências China e Índia, parece ser bem interessante.
Hoje, domingo, resolvi conhecer duas cidades aqui perto de Frankfurt. Primeiro fui até Mainz, que fica à margem do Reno. Trinta minutos de trem, divididos entre a leitura do livro sobre a Alemanha pós-muro, que citei acima, e olhadelas nos avioes que estavam pousando em Frankfurt. O turismo foi do jeito que eu gosto. Cheguei na cidade sem saber quase nada sobre a mesma ou o que ver. Como o posto de informacoes turísticas estava fechado (a Alemanha pára aos domingos), pedi informacao a uns policiais, que me indicaram ir caminhando pelo trilho do tram. E assim fui, seguindo as linhas de ferro, só falou jogar migalhas de pao pelo caminho, como naquela história da casa feita de doces. Deveria ter feito isso, já que me perdi umas quinhentas vezes depois.
Mainz, como quase todas as cidades que já estive aqui, é um lugar interessante e agradável. Claro que o tempo quase-verao ajuda muito, mas o centro histórico é bem legal mesmo. Outro lugar que gostei, um pouco afastado da cidade velha, é um parque com umas contrucoes bem antigas, da época dos romanos. Achei este lugar porque me perdi, mas se perder, quando conhecendo uma cidade, até que pode ser útil. Resumindo, fiquei perambulando pela cidade sem muito objetivo.
Comi um kebab enorme e apimentadíssimo (turco safado) e fui para Wiesbaden, que é a capital do estado de Hessen, onde também está Frankfurt. Depois de Mainz, meu nível de curiosidade já estava um pouco raso e, aliado à dor dos meus pés, acabei nao andando muito por esta cidade. Logo depois da estacao de trem havia um parque/jardim bem grande, onde fiquei deitado lendo o livro. O único problema é que nao levei minha câmera fotografica, ela está sem bateria e o carregador, obviamente, segundo Murphy, nao entra nas tomadas daqui. Ainda bem que nao sou de ver as fotos depois que tiro.
sábado, 30 de abril de 2011
O Black Berry me salvou!
Sim, eu, que nao sou nem um pouco chegado nesses celulares multifuncionais, tenho que admitir que o Black Berry, meu telefone do trabalho, me ajudou muito ontem. Peguei o metrô e fui até uma estacao perto da piscina onde eu iria nadar. Havia anotado o endereco em um papel que, infelizmente, acabei deixando no apartamento. Tinha um mapa na mao e quase certeza que a piscina ficava na Rua X. Andei pela rua toda e nada. Caramba, eu tinha quase certeza que ficava nesta rua. Perguntei para várias pessoas na rua e ninguém sabia da tal piscina. Até que tive a brilhante ideia: peguei o celular, que nem sei porque estava carregando comigo, acho que somente pra saber as horas, já que nao uso relógio, e usei o navegador pra entrar na página da academia. Bingo! Era em uma outra rua perto de onde estava. Nao perdi a viagem e, finalmente, voltei a me movimentar, depois de alguns meses sem praticar algum esporte de verdade.
Quando vi a piscina, logo lembrei dos desenhos do livro Onde está o Wally?. Era gente nadando pra todo lado, todos sentidos, criancas pulando n'água, boias no meio de tudo, alemaes, estrangeiros. Os alemaes podem ser organizados no trabalho, transporte público, em suas vidas pessoas, mas na piscina nao! A única pequena porcao de ordem no meio da balbúrida toda era uma tímida raia no canto da piscina, onde duas pessoas estavam nadando de verdade. Comecei a nadar e toda hora tinha que me desviar do "trânsito" caótico de banhistas. Até que, pouco depois, a coisa até que foi se organizando, todo mundo indo do lado direito e voltando pelo esquerdo. Nunca tinha visto coisa igual, a piscina nao era de azulejo, mas sim de metal. Várias placas de ferro soldadas umas nas outras, achei engracado.
Voltei caminhando para casa, nao era muito perto, deu mais ou menos uns 45 minutos de caminhada. Ainda estou no período curioso e de admiracao da minha estada em Frankfurt. Fico olhando os prédios, comércio, tentando guardar os nomes das ruas, me situar. Sendo Frankfurt a capital financeira da Alemanha e até Europa, existem alguns poucos arranha-céus espalhados pelo centro da cidade. Eles sao muito práticos pra eu me orientar em minhas caminhadas. Os principais (e mais imponentes) prédios sao das seguintes empresas/bancos: Commerzbank, UBS, DB (Deutsche Bahn, a empresa ferroviária da Alemanha), DB (Deutsche Bank), BHF Bank, Banco Central Europeu, etc. Mesmo com a ajuda da globalizacao, vou comecar a sempre carregar meu Black Berry comigo, até que ele pode ser útil, confesso.
Quando vi a piscina, logo lembrei dos desenhos do livro Onde está o Wally?. Era gente nadando pra todo lado, todos sentidos, criancas pulando n'água, boias no meio de tudo, alemaes, estrangeiros. Os alemaes podem ser organizados no trabalho, transporte público, em suas vidas pessoas, mas na piscina nao! A única pequena porcao de ordem no meio da balbúrida toda era uma tímida raia no canto da piscina, onde duas pessoas estavam nadando de verdade. Comecei a nadar e toda hora tinha que me desviar do "trânsito" caótico de banhistas. Até que, pouco depois, a coisa até que foi se organizando, todo mundo indo do lado direito e voltando pelo esquerdo. Nunca tinha visto coisa igual, a piscina nao era de azulejo, mas sim de metal. Várias placas de ferro soldadas umas nas outras, achei engracado.
Voltei caminhando para casa, nao era muito perto, deu mais ou menos uns 45 minutos de caminhada. Ainda estou no período curioso e de admiracao da minha estada em Frankfurt. Fico olhando os prédios, comércio, tentando guardar os nomes das ruas, me situar. Sendo Frankfurt a capital financeira da Alemanha e até Europa, existem alguns poucos arranha-céus espalhados pelo centro da cidade. Eles sao muito práticos pra eu me orientar em minhas caminhadas. Os principais (e mais imponentes) prédios sao das seguintes empresas/bancos: Commerzbank, UBS, DB (Deutsche Bahn, a empresa ferroviária da Alemanha), DB (Deutsche Bank), BHF Bank, Banco Central Europeu, etc. Mesmo com a ajuda da globalizacao, vou comecar a sempre carregar meu Black Berry comigo, até que ele pode ser útil, confesso.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Primeiros dias em Frankfurt
Sem eu perceber, o dia de deixar o Brasil a caminho de Frankfurt chegou. Como comentei em outro post neste blog, vim para a cidade onde está a sede do KfW - banco onde trabalho - para ficar pouco menos de dois meses, trabalhando com projetos do Brasil mas também para conhecer melhor a empresa e os colegas de trabalho. No voo, tudo tranquilo; acho que foi a vez que mais dormi em um voo, mesmo estando igual sardinha enlatada. Incrível.
Por enquanto o dia a dia no trabalho tem sido puxado. Cheguei no meio da tarde da última quarta-feira e logo fui para o pequeno mas agradável apartamento/hotel. Logo depois caminhei até o KfW, que fica bem perto do hotel, para dar "oi" pro pessoal do escritório. Já na quinta comecei realmente a trabalhar, depois de dormir bem durante a noite e me recuperar do fuso. Por causa de alguns pepinos, fiquei até quase dez da noite trabalhando. Ontem e hoje trabalhei até às 8. Mas nao posso reclamar, quanto mais trabalhar por aqui, mais aprenderei e aproveitarei este pequeno intercâmbio.
A hora do almoco no KfW é demais. O banco tem vários prédios descentralizados aqui em Frankfurt, um do lado ou perto do outro - um contraste com outros arranha-céus de outros bancos da cidade. Em um dos prédios fica a cantina, onde todos os funcionários almocam. O espaco é bem legal e tem três tipos de cardápio para escolher, sendo um deles vegetariano. Sem falar também na salada, sopa e sobremesa. Esses dias tomei uma sopa de aspargos que estava ótima! Pra beber, água com gás. Vai ser bom que assim eu passo a tomar menos coca-cola, já estava ficando viciado.
Até poucos dias atrás eu estava tendo sorte com o tempo. Apesar de ainda ser abril, já está relativamente calor. Bem de manha e à noite é um pouco friozinho ainda, mas durante o dia bem confortável. Passei a páscoa na Suíca (mais no próximo post) e o tempo também estava ótimo. O que eu mais gosto: aqui está comecando a escurecer bem depois das oito e, com o passar do tempo, isso vai acontecer mais tarde ainda.
Mesmo estando um tempo legal aqui em Frankfurt, eu nao tive tempo de fazer quase nada. Como comentei, estou saindo tarde do trabalho, chego no apartamento e, quando vejo, já é hora de dormir. Amanha vou ver se saio um pouco mais cedo e vou nadar em um clube, descobri uma piscina que custa só 4 euros pra nadar. E nao é por hora, nao. Quatro euros e pode-se passar o dia todo na água! Cheguei à conclusao definitiva de que muitas coisas aqui sao mais baratas que em Sao Paulo. Se nao o sao, pelo menos nao é tao mais caro. Um exemplo prático é o Burger King, que custa bem menos que no Brasil. Nosso país (especialmente Sao Paulo) está ficando muito caro.
Uma coisa que tem sido totalmente diferente de minha rotina no Brasil é o fato de eu ver TV aqui. Eu chego do trabalho e umas das primeiras coisas que faco é ligar a TV. No Brasil só encosto na televisao pra assistir a algum DVD. Gosto de ver as notícias, às vezes passa uns filmes legais também. Sem falar que fico, automaticamente, treinando o alemao. Logo quando cheguei, um dos grandes temas era se a Alemanha deveria ter limite de velociadade em suas Autobahns e discussoes políticas com relacao ao futuro da energia nuclear no país.
Para finalizar, duas curiosidades: aqui na Alemanha (e agora acredito que em todo mundo) as páginas amarelas também se chamam páginas amarelas, mas em alemao fica Gelbe Seiten; os números de telefones de Frankfurt nao têm sempre a mesma quantidade de dígitos, já cheguei a ver desde 5 até 10! Imaginem ter um telefone em casa que seja 15378 e um no trabalho como 7656-987861. Vai saber... Eu até agora nao consegui decorar nenhum dos dois, nem do trabalho, nem do hotel.
Por enquanto o dia a dia no trabalho tem sido puxado. Cheguei no meio da tarde da última quarta-feira e logo fui para o pequeno mas agradável apartamento/hotel. Logo depois caminhei até o KfW, que fica bem perto do hotel, para dar "oi" pro pessoal do escritório. Já na quinta comecei realmente a trabalhar, depois de dormir bem durante a noite e me recuperar do fuso. Por causa de alguns pepinos, fiquei até quase dez da noite trabalhando. Ontem e hoje trabalhei até às 8. Mas nao posso reclamar, quanto mais trabalhar por aqui, mais aprenderei e aproveitarei este pequeno intercâmbio.
A hora do almoco no KfW é demais. O banco tem vários prédios descentralizados aqui em Frankfurt, um do lado ou perto do outro - um contraste com outros arranha-céus de outros bancos da cidade. Em um dos prédios fica a cantina, onde todos os funcionários almocam. O espaco é bem legal e tem três tipos de cardápio para escolher, sendo um deles vegetariano. Sem falar também na salada, sopa e sobremesa. Esses dias tomei uma sopa de aspargos que estava ótima! Pra beber, água com gás. Vai ser bom que assim eu passo a tomar menos coca-cola, já estava ficando viciado.
Até poucos dias atrás eu estava tendo sorte com o tempo. Apesar de ainda ser abril, já está relativamente calor. Bem de manha e à noite é um pouco friozinho ainda, mas durante o dia bem confortável. Passei a páscoa na Suíca (mais no próximo post) e o tempo também estava ótimo. O que eu mais gosto: aqui está comecando a escurecer bem depois das oito e, com o passar do tempo, isso vai acontecer mais tarde ainda.
Mesmo estando um tempo legal aqui em Frankfurt, eu nao tive tempo de fazer quase nada. Como comentei, estou saindo tarde do trabalho, chego no apartamento e, quando vejo, já é hora de dormir. Amanha vou ver se saio um pouco mais cedo e vou nadar em um clube, descobri uma piscina que custa só 4 euros pra nadar. E nao é por hora, nao. Quatro euros e pode-se passar o dia todo na água! Cheguei à conclusao definitiva de que muitas coisas aqui sao mais baratas que em Sao Paulo. Se nao o sao, pelo menos nao é tao mais caro. Um exemplo prático é o Burger King, que custa bem menos que no Brasil. Nosso país (especialmente Sao Paulo) está ficando muito caro.
Uma coisa que tem sido totalmente diferente de minha rotina no Brasil é o fato de eu ver TV aqui. Eu chego do trabalho e umas das primeiras coisas que faco é ligar a TV. No Brasil só encosto na televisao pra assistir a algum DVD. Gosto de ver as notícias, às vezes passa uns filmes legais também. Sem falar que fico, automaticamente, treinando o alemao. Logo quando cheguei, um dos grandes temas era se a Alemanha deveria ter limite de velociadade em suas Autobahns e discussoes políticas com relacao ao futuro da energia nuclear no país.
Para finalizar, duas curiosidades: aqui na Alemanha (e agora acredito que em todo mundo) as páginas amarelas também se chamam páginas amarelas, mas em alemao fica Gelbe Seiten; os números de telefones de Frankfurt nao têm sempre a mesma quantidade de dígitos, já cheguei a ver desde 5 até 10! Imaginem ter um telefone em casa que seja 15378 e um no trabalho como 7656-987861. Vai saber... Eu até agora nao consegui decorar nenhum dos dois, nem do trabalho, nem do hotel.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Frankfurt (2)
A segunda semana em Frankfurt foi tão boa quanto a primeira, apenas um pouco diferente. O treinamento foi mais específico e com todo o time do Fundo de Carbono; algumas pessoas eu já havia conhecido na primeira semana, isto é, trabalhavam para o Fundo de Carbono e eram, como eu, recém-contratados. Foi muito legal conhecer os rostos da pessoas que eu costumava lidar em São Paulo pelo telefone ou e-mail. Algumas eu achava que eram mais velhas, outras mais novas. Engraçado.
Foi muito importante conversar durante toda a semana sobre o mesmo assunto, conhecer as dificuldades e pontos fortes de outros países, receber sugestões, etc. Os últimos dias foram destinados para as apresentações da estratégia para o final de 2010 e 2011 de cada país que faz aquisição de créditos de carbono. Para encerrar a semana, fomos na sexta-feira a um restaurante muito agradável perto do banco. Comemos ao ar livre em uma nível mais alto que do térreo, a vista era bonita, muito verde na Europa nesta época do ano.
Como na primeira semana, o KfW organizou atividades recreativas para depois do expediente de treinamento. Uma que eu achei bem criativa e divertida foi nossa ida a uma cozinha de um restaurante onde o chef de cozinha nos ensionou a preparar tapas espanholas. Depois dele, foi a nossa vez: nos dividimos em grupos e cada um fez um prato diferente. Eu fiquei com o Klaus e cozinhamos um tira-gosto de cogumelos e copa. Não faltou comida este dia!
Outro encontro aconteceu em um bier garten bem na frente do Main, fantástico! O único problema foi o frio que incomodou um pouco. O lado bom foi as cervejas alemãs, já comentadas aqui em outro post anterior. O legal destes encontros e atividades é que o pessoal que trabalha em um mesmo departamente em países diferentes tem a oportunidade de se conhecer melhor e ficar mais íntimo.
No final da minha estada em Frankfurt, apesar de muito divertida e proveitosa, já estava querendo voltar para o Brasil. Não sei por que mas parece que quando viajamos, nos preparamos psicologicamente para ficar o tempo estipulado e, quando vai chegando no final, já estamos cansados e querendo voltar pra rotina. Estava com saudades do meu apartamento também, não faz muito tempo que me mudei. Sem falar dos amigos e família.
Mas uma coisa é verdade: não vejo a hora de chegar o próximo encontro do Fundo de Carbono!
***
Conversando com uma colega da Bukina Faso, que participou do programa da primeira semana, percebi como pode ser difícil a integração de um negro em um país majoritariamente branco. Mesmo morando há anos na Alemanha e falando alemão muito bem, ela não se sentia à vontade. Estava sempre com a pulga atrás da orelha e, segundo ela, sofrendo censuras e passando por constrangimentos. Ao sentar então em um assento no trem ou ônibus ao lado de um alemães, era constrangimento na certa. Mas você não está preparada e já esperando sofrer preconceito, eu perguntei. Pode ser, ela respondeu, talvez o problema seja eu também. Porém, estava feliz em voltar para Bukina Faso e trabalhar em seu verdadeiro país.
Foi muito importante conversar durante toda a semana sobre o mesmo assunto, conhecer as dificuldades e pontos fortes de outros países, receber sugestões, etc. Os últimos dias foram destinados para as apresentações da estratégia para o final de 2010 e 2011 de cada país que faz aquisição de créditos de carbono. Para encerrar a semana, fomos na sexta-feira a um restaurante muito agradável perto do banco. Comemos ao ar livre em uma nível mais alto que do térreo, a vista era bonita, muito verde na Europa nesta época do ano.
Como na primeira semana, o KfW organizou atividades recreativas para depois do expediente de treinamento. Uma que eu achei bem criativa e divertida foi nossa ida a uma cozinha de um restaurante onde o chef de cozinha nos ensionou a preparar tapas espanholas. Depois dele, foi a nossa vez: nos dividimos em grupos e cada um fez um prato diferente. Eu fiquei com o Klaus e cozinhamos um tira-gosto de cogumelos e copa. Não faltou comida este dia!
Outro encontro aconteceu em um bier garten bem na frente do Main, fantástico! O único problema foi o frio que incomodou um pouco. O lado bom foi as cervejas alemãs, já comentadas aqui em outro post anterior. O legal destes encontros e atividades é que o pessoal que trabalha em um mesmo departamente em países diferentes tem a oportunidade de se conhecer melhor e ficar mais íntimo.
No final da minha estada em Frankfurt, apesar de muito divertida e proveitosa, já estava querendo voltar para o Brasil. Não sei por que mas parece que quando viajamos, nos preparamos psicologicamente para ficar o tempo estipulado e, quando vai chegando no final, já estamos cansados e querendo voltar pra rotina. Estava com saudades do meu apartamento também, não faz muito tempo que me mudei. Sem falar dos amigos e família.
Mas uma coisa é verdade: não vejo a hora de chegar o próximo encontro do Fundo de Carbono!
***
Conversando com uma colega da Bukina Faso, que participou do programa da primeira semana, percebi como pode ser difícil a integração de um negro em um país majoritariamente branco. Mesmo morando há anos na Alemanha e falando alemão muito bem, ela não se sentia à vontade. Estava sempre com a pulga atrás da orelha e, segundo ela, sofrendo censuras e passando por constrangimentos. Ao sentar então em um assento no trem ou ônibus ao lado de um alemães, era constrangimento na certa. Mas você não está preparada e já esperando sofrer preconceito, eu perguntei. Pode ser, ela respondeu, talvez o problema seja eu também. Porém, estava feliz em voltar para Bukina Faso e trabalhar em seu verdadeiro país.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Frankfurt (1)
Tive sorte. Logo depois de começar a trabalhar para o KfW fiquei sabendo que meses depois do meu começo iria fazer uma viagem de duas semanas para Frankfurt com o intuito de conhecer melhor o banco, seus programas, projetos, relacao com o governo alemão, etc. Nas duas semanas, participei de dois programas diferentes: introdução sobre o KfW Entwicklungsbank e treinamento do Fundo de Carbono. Neste texto escreverei como foram os meus sete primeiros dias na capital financeira da Alemanha.
Frankfurt me impressionou desde o começo, primeiro porque a cidade é muito menor do que eu imaginava. Na verdade eu já sabia que Frankfurt tinha mais ou menos 700 mil habitantes quando deixei o Brasil, mas mesmo assim, na hora que comecei a andar pela cidade, achei que ela deveria ser maio. Maior porque é a capital financeira do principal país do bloco europeu. Ok, existem alguns arranha-céus, muito deles bem bonitos e imponentes, mas nada comparado a São Paulo ou até outras cidades menores brasileiras.
Por outro lado, Frankfurt me impressionou pela qualidade de vida que oferece a seus moradores ou aos de passagem, como eu. Existem diversos restaurantes internacionais, metrô espalhado pela cidade inteira (algo inédito para mim, se lembramos que a cidade não tem nem um milhão de habitantes)e o mais legal, muitas pessoas vão de bicicleta para o trabalho! É muito comum ver engravatados montados em suas bicicletas percorrendo as ruas de Frankfurt. Ou melhor, as calçadas. Em quase todas as calçadas da cidade existe uma faixa em vermelho destinada para os ciclistas; os pedestres precisam ficar atentos para não ser atropelados por algo sem motor!
Os meus colegas de treinamento foram os mais amigáveis e interessantes possíveis. Sem contar suas procedências: Iêmen, Bukina Faso, Madagascar, Indonésia, Egito, Palestina (achei que nunca encontraria alguém desta região), África do Sul, Ruanda, Índia e Casaquistão. Foi interessante que o KfW organizou algumas atividades extra-curriculares, como jogar boliche em uma noite ou o jantar de boas vindas no primeiro domingo. Me impressionei também como a maioria de nós ficamos bem íntimos logo nos primeiros dias; na quinta-feira, quando alguns já estavam se preparando para voltar para casa (aqueles que não teriam outro treinamento na semana seguinta), tratamos de nos reunir depois das palestras e ficamos conversando e bebericando algo para nos despedir.
Adoro esses encontros internacionais, é muito legal conversar com pessoas de todos os cantos do mundo sobre seus países, hábitos, governos, etc. Por exemplo, fiquei sabendo que vários países da África Ocidental possuem a mesma moeda, que me esqueci o nome porque tenho memória de peixe; fiquei sabendo como é o dia-a-dia na Autoridade Palestina e, para minha surpresa, é muito mais normal do que imaginava; confirmei com uma colega alemã que mora na Áfica do Sul há 20 anos que realmente o atual presidente deste país estuprou a filha de um amigo seu e confessou para todo país. Já havia lido sobre isso mas, tamanho o disparate, achei que o jornalista havia se confundido. Nosso governo é inacreditável, me disse ela.
Não é só o Brasil que pára em época de copa do mundo. A Alemanha também entrou no clima: todos os bares colocaram telões ou TVs nas calçadas para as pessoas acompanharem os jogos; muitos dos carros penduraram bandeiras para apoiar o país; pessoas andavam pintadas e festejando nas ruas. O único problema foi no jogo da Alemanha contra a Sérvia. Ninguém esperava uma derrota, eles se acanharam. Fiquei impressionado como os alemães gostam do Brasil. Um dia vi um menininho de uns 5 anos correndo com duas bandeiras na mão, uma da Alemanha, outra do Brasil. Outra hora vi um carro passando também com as bandeiras destes dois países. Quero só ver se o Brasil enfrentar a Alemanha em alguma etapa da Copa.
Não posso deixar de falar das palestras introdutórias sobre o KfW - Banco de Desenvolvimento. Não foi coincidência que todos os participantes vinham de países em desenvolvimento. Essa área do banco, a qual o Fundo de Carbono pertence, destina suas atividades somente nos países pobres ou emergentes. Teve uma palestra que explicou, por exemplo, o critério para decidir o tipo de projetos que cada país vai implementar. Eles podem ser desde eficiência energética e energia renovável (caso do Brasil) até infra-estrutura, educação ou combate à AIDS. Os tipos de financiamentos, estrutura e gestão dos projetos também foram apresentados. No final da semana estávamos entendendo o banco muito melhor do que quando chegamos em Frankfurt.
Até no Ministério Alemão de Cooperação Internacional, sediado em Bonn, nós fomos, para assistir uma palestra que explicava como o ministério trabalha com o KfW. Após a palestra, fomos para o Museu de História Moderna, que conta a história da Alemanha logo depois do final da segunda guerra mundial. O guia possuia um humor sutil e sabia muito sobre o tema. Interessante: a indústria alemã atual é muito moderna porque ao final da segunda guerra, quando o país estava dividido e ocupado, os países ocupantes - União Soviética, França, Ingraterra e EUA - levaram todos os maquinários para seus países. Só restou à Alemanha então, começar a reconstruir seu parque industrial e, como criaram tudo do novo, sua indústria ficou moderna. Até hoje.
Frankfurt me impressionou desde o começo, primeiro porque a cidade é muito menor do que eu imaginava. Na verdade eu já sabia que Frankfurt tinha mais ou menos 700 mil habitantes quando deixei o Brasil, mas mesmo assim, na hora que comecei a andar pela cidade, achei que ela deveria ser maio. Maior porque é a capital financeira do principal país do bloco europeu. Ok, existem alguns arranha-céus, muito deles bem bonitos e imponentes, mas nada comparado a São Paulo ou até outras cidades menores brasileiras.
Por outro lado, Frankfurt me impressionou pela qualidade de vida que oferece a seus moradores ou aos de passagem, como eu. Existem diversos restaurantes internacionais, metrô espalhado pela cidade inteira (algo inédito para mim, se lembramos que a cidade não tem nem um milhão de habitantes)e o mais legal, muitas pessoas vão de bicicleta para o trabalho! É muito comum ver engravatados montados em suas bicicletas percorrendo as ruas de Frankfurt. Ou melhor, as calçadas. Em quase todas as calçadas da cidade existe uma faixa em vermelho destinada para os ciclistas; os pedestres precisam ficar atentos para não ser atropelados por algo sem motor!
Os meus colegas de treinamento foram os mais amigáveis e interessantes possíveis. Sem contar suas procedências: Iêmen, Bukina Faso, Madagascar, Indonésia, Egito, Palestina (achei que nunca encontraria alguém desta região), África do Sul, Ruanda, Índia e Casaquistão. Foi interessante que o KfW organizou algumas atividades extra-curriculares, como jogar boliche em uma noite ou o jantar de boas vindas no primeiro domingo. Me impressionei também como a maioria de nós ficamos bem íntimos logo nos primeiros dias; na quinta-feira, quando alguns já estavam se preparando para voltar para casa (aqueles que não teriam outro treinamento na semana seguinta), tratamos de nos reunir depois das palestras e ficamos conversando e bebericando algo para nos despedir.
Adoro esses encontros internacionais, é muito legal conversar com pessoas de todos os cantos do mundo sobre seus países, hábitos, governos, etc. Por exemplo, fiquei sabendo que vários países da África Ocidental possuem a mesma moeda, que me esqueci o nome porque tenho memória de peixe; fiquei sabendo como é o dia-a-dia na Autoridade Palestina e, para minha surpresa, é muito mais normal do que imaginava; confirmei com uma colega alemã que mora na Áfica do Sul há 20 anos que realmente o atual presidente deste país estuprou a filha de um amigo seu e confessou para todo país. Já havia lido sobre isso mas, tamanho o disparate, achei que o jornalista havia se confundido. Nosso governo é inacreditável, me disse ela.
Não é só o Brasil que pára em época de copa do mundo. A Alemanha também entrou no clima: todos os bares colocaram telões ou TVs nas calçadas para as pessoas acompanharem os jogos; muitos dos carros penduraram bandeiras para apoiar o país; pessoas andavam pintadas e festejando nas ruas. O único problema foi no jogo da Alemanha contra a Sérvia. Ninguém esperava uma derrota, eles se acanharam. Fiquei impressionado como os alemães gostam do Brasil. Um dia vi um menininho de uns 5 anos correndo com duas bandeiras na mão, uma da Alemanha, outra do Brasil. Outra hora vi um carro passando também com as bandeiras destes dois países. Quero só ver se o Brasil enfrentar a Alemanha em alguma etapa da Copa.
Não posso deixar de falar das palestras introdutórias sobre o KfW - Banco de Desenvolvimento. Não foi coincidência que todos os participantes vinham de países em desenvolvimento. Essa área do banco, a qual o Fundo de Carbono pertence, destina suas atividades somente nos países pobres ou emergentes. Teve uma palestra que explicou, por exemplo, o critério para decidir o tipo de projetos que cada país vai implementar. Eles podem ser desde eficiência energética e energia renovável (caso do Brasil) até infra-estrutura, educação ou combate à AIDS. Os tipos de financiamentos, estrutura e gestão dos projetos também foram apresentados. No final da semana estávamos entendendo o banco muito melhor do que quando chegamos em Frankfurt.
Até no Ministério Alemão de Cooperação Internacional, sediado em Bonn, nós fomos, para assistir uma palestra que explicava como o ministério trabalha com o KfW. Após a palestra, fomos para o Museu de História Moderna, que conta a história da Alemanha logo depois do final da segunda guerra mundial. O guia possuia um humor sutil e sabia muito sobre o tema. Interessante: a indústria alemã atual é muito moderna porque ao final da segunda guerra, quando o país estava dividido e ocupado, os países ocupantes - União Soviética, França, Ingraterra e EUA - levaram todos os maquinários para seus países. Só restou à Alemanha então, começar a reconstruir seu parque industrial e, como criaram tudo do novo, sua indústria ficou moderna. Até hoje.
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