Mostrando postagens com marcador culinária. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador culinária. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Santiago a trabalho, Viña no fim de semana

Estou agora no aeroporto de Santiago esperando o voo de volta para o Brasil. Vim para o Chile na sexta passada, tinha uma reunião neste mesmo dia mas acabou sendo cancelada. Pelo menos tive tempo para descansar e aproveitar o final de semana. O motivo da vinda: participar em uma feira sobre energia hidrelétrica no Chile, já que há pouco fechamos um contrato com a instituição que organizou a feira.

Foi bom ter vindo na sexta, pude aproveitar um pouco mais o final de semana e conhecer um pouco mais o país. No sábado peguei um ônibus e fui para Viña del Mar visitar uma amiga chilena, a Romina, que mora nesta cidade. A viagem demorou pouco mais de uma hora e meia e, como o nome já diz, Viãa fica bem em frente ao mar. Mesmo com o tempo horrível que fez, deu pra perceber um pouco a dinâmica da cidade, que é bem espalhada e limitada de um lado pelo mar e do outro por morros e montanhas.

No sábado à noite fomos para um bar perto do apartamento da Romina, bem pequeno mas muito legal. Ela sempre toma mojito neste bar, mas eu, como sempre, acabei tomando uma cerveja. Uma banda tocou no espaço, um som um pouco diferente mas interessante. Na primeira parte do show, um pouco mais clássico, conservador. Na outra metada, mais barulhento e pesado.

No domingo não fizemos muita coisa, o tempo estava um pouco melhor mas ainda longe de estar bom. Fomos a um restaurante e comemos um pouco da culinária tradicional chilena: peixe e frutos do mar. Experimentei o famoso pisco sour mas não gostei, muito doce, lembra bastante caipirinha. Gostaria de ter conhecido Valparaiso também, que fica bem ao lado de Vina. Talvez na próxima.

De volta à Santiago, o pouco que consegui aproveitar e conhecer mais foi, de novo, a culinária. Fui à um bar/restaurante perto do hotel, que gostei bastante. O lugar, que se chama Liguria, era um pouco diferente, descolado, músicas legais tocando ao fundo, lembrava um pouco a Peluqueria Francesa da última visita à Santiago. Acho legal também que os chilenos colocam abacate em tudo, comem junto com a comida, misturam nos lanches e sanduíches, é muito bom. Durante a feira em que participei, pedi um cachorro-quente e... veio com abacate também! Essa me surpreendeu. Mas o pior é que combinou.

Outra coisa que notei também é que aqui no Chile os kebabs são muito mais populares que no Brasil. Só perto do hotel, achei uns três lugares que vendiam essas delícias e acabei experimentado dois deles: um mais tradicional; o outro com pitadas chilenas e, claro, lascas de abacate. Não me espanto que esteja acima do peso e entre um grande prato e outro aqui no Chile, me veio à cabeça uma resposta para usar de bate-pronto aos meus amigos e familiares na próxima vez que caçoarem do meu peso: “pelo tanto que como e bebo, isto não é nada!”.

Comparados com os dois dias da feira, hoje foi bem mais tranqüilo, tive apenas duas reuniões e cheguei cedo e com calma no aeroporto. Li bastante durante a viagem e terminei agora pouco um livro do Mario Benedetti, A borra do café. Típico deste escritor, um livro muito agradável de ler, contando a trajetória, acontecimentos e experiências de um garoto comum que nasce e cresce em Montevideo. Suas primeiras experiências amorosas, amigos do bairro, mudanças de casa, tudo é narrado de maneira simples mas maestral.

Meu voo está sendo anunciado, timing perfeito, já que acabei de escrever um pouco mais sobre o que vivenciei no país dos andes desta vez. Tomara que da próxima eu venha a turismo e tenha mais tempo para desfrutar com calma.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Montevideo

Continuando o relato anterior, cheguei em Montevidéu tarde da noite, talvez até da madrugada, não me lembro. Sim, da madrugada, agora sei, eram duas horas passadas. Fui até o hostel que havia reservado, me arrumei e desmaiei na cama. Acordei bem mais disposto e conversei com a recepcionista pra pegar umas dicas da cidade, sendo a melhor delas a ideia de alugar uma bicicleta e andar pela rambla. Já-já conto mais.

Essa foi a terceira vez que estive na capital do Uruguai, cada vez um pouco diferente das outras. A primeira, com meus pais, vindo de carro do Brasil. Com os amigos de Campo Grande foi a segunda, estávamos em Buenos Aires e fomos até a capital vizinha, enquanto, no Brasil, as pessoas jogavam confetes uma nas outras e bebiam demais. Desta vez fui a trabalho e, como era feriado no nosso país, acabei indo um dia mais cedo para aproveitar a cidade.

Devo dizer, adoro Montevidéu! Não sei explicar porquê, apenas me identifiquei com esta cidade desde a primeira vez que estive nela. É um lugar calmo para caminhar, cheio de praças, as pessoas são educadas... Pra não falar nas ruas cheias de árvores, o cheiro especial da cidade e a culinária, carne, carne e mais carne, com um pouco de bom vinho para acompanhar.

Na primeira vez, com meus pais, acabamos entrando em um restaurante e tivemos um dos melhores almoços de todos os tempos, estava tudo muito bom. Eu e meu pai tomamos uma garrafa de vinho, enquanto isso chovia torrencialmente lá fora. Foi uma tarde muito especial, ficamos conversando e, depois de muito tempo, voltamos a caminhar por Montevidéu. Tentei porque tentei achar este mágico restaurante na segunda vez, quando estive com o pessoal, mas não consegui. Mas não é que eu estava andando pelo centro com minha bicicleta (daqui a pouco conto mais!) e me deparo com o tão esperado restaurante? Desta vez não cometi o mesmo erro, marquei o nome do lugar e até ganhei um imã de geladeira; agora, toda vez que abro a porta do congelador, vejo o nome La Torre. Da próxima vez será mais fácil.

Foi um pouco entranho passar por lugares que havia visitado com meus pais ou amigos, o porto, as praças, os prédios, as playas. Foi até um pouco melancólico, pra falar a verdade. Desta vez estava sozinho, não que seja um problema, eu viajo bastante sozinho e me viro nos 30, mas com (boa) companhia a viagem fica muito mais legal.

Agora, finalmente, o breve relato sobre o aluguel da bicicleta. Como comentei, fui recomendado a alugar a bicicleta e ficar andando pela rambla. Dito e feito, foi um dos passeios ou turismo mais legal que já fiz. Como a rambla é muito extensa, com a bicicleta é muito mais legal e se pode ver muito mais da cidade. Não sei como não tivemos esta ideia antes. Com os amigos, ficamos caminhando por horas e não andamos nem a metade do que eu andei com a bicicleta. O fato da capital uruguaia ser plana também ajuda bastante.

Como não podia ser diferente, parei em uma biblioteca (muito legal, por sinal) e me dei de presente três livros de autores uruguaios: um do consagrado Mario Benedetti, outro do Horacio Quiroga, que também já conhecia, e o último do Gabriel Richieri, que enquanto escrevo estas linhas, foi o único dos três que li até agora. Gostei bastante do livro, que é uma autobiografia do autor em forma de novela ou pequenos contos, deu pra sentir bastante como era a Montevideu de décadas passadas. Até transcrevi uma parte do livro aqui no blog, posts atrás.

De volta ao aeroporto, três dias, algumas reuniões e uma palestra em portunhol depois, percebi como o aeroporto é bonito: estrutura ampla, limpa, claro e cheia de vidros. Uma ótima primeira impressão para quem chega a um país; pra quem vai embora, um adeus simpático.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A loja de Kebab

Faz algum tempo percebi que tenho um sonho, ou melhor, uma vontade: abrir uma loja que venda kebabs, os famosos e deliciosos lanches turcos, ainda muito mal-vistos aqui no Brasil. Falando no Brasil, temos aqui dois problemas maiores em relação à venda dos kebabs: ou eles são muito baratos e, consequentemente, de ruim qualidade (os famosos churrascos-grego vendidos no centro de São Paulo); ou são muito caros e vendidos em restaurantes chiques, o que, curiosamente, não assegura que os lanches sejam tão saborosos como na Turquia ou Europa. Portanto, percebi eu, existe uma grande (e promissora) lacuna a se explorar.

Minha paixão pelos kebabs (existem diferentes tipos, ainda mais se considerarmos que cada país tem sua particularidade na preparação dos mesmos) começou quando fui morar, pela primeira vez, na Europa. Na época, ao ser apresentado ao famoso lanche pelo Florian, meu irmão hospedeiro no meu intercâmcio na Suíça, lembrei imediatamente dos famigerados churrascos-grego e descartei a ideia de experimentar a versão suíça do lanche turco. Porém, como fiquei por lá por um ano cheio, tive a oportunidade de vencer o preconceito e experimentar o tão famoso kebab. Antes mesmo de terminar o lanche, percebi como tinha sido ignorante e cabeça-dura: o kebab era uma delícia!

Após meu ano na Suíça, retornei ao Brasil e senti muita falta do kebab. Só fui ter oportunidade de saborear de novo o lanche de carne de carneiro nas outras vezes que estive na Europa ou Turquia. E, novamente no Brasil, não conseguia entender por que os kebabs não se popularizavam por aqui. Até que descobri que haviam sim, outras possibilidades senão o churrasco-grego. Conheci duas kebaberias em São Paulo: uma na Rua Augusta e outra perto deste rua. Os lanches foram exemplarmente preparados, mas na hora de comer, não me faziam lembrar os da Europa. Faltava alguma coisa. E o pior, eram caros.

Foi aí que comecei a pensar que uma loja que vendesse o "kebab intermediário" poderia se dar muito bem. Comecei a pensar então em todas as diferentes variáveis e dificuldades que poderiam aparecer na concepção, criação e manutenção de tal loja/restaurante. A primeira coisa que pensei foi onde instalar tal loja. A resposta veio rápido na minha cabeça: na Augusta, rua agitada e jovem de São Paulo repleta de opções noturnas. Não acho que o fato de outros dois restaurantes de kebabs estarem instalados na mesma região atrapalharia, até porque o conceito seria diferente. Penso que o kebab precisa ser ainda popularizado entre nós brasileiros. Apesar de ter surgido essa primeira onda de invasão de kebaberias, poucas pessoas que conheço tem o costume frequentá-las; a horrível imagem do churrasco-grego ainda atrapalha muito.

Outro problema a ser superado, de origem técnica, seria a preparação dos grandes espetos com carne de carneiro e se isso não sairia muito caro. No Brasil temos o costume maior de comer carne bovina, então é preciso analisar se seria viável a comercialização dos lanches com a carne de carneiro. Outra alternativa seria a carne de frango, também utilizada no exterior. A carne bovina, apesar de mais acessível, não constituiria, ao meu ver, uma opção para o kebab.

Seria interessante que o restaurante fosse um lugar agradável e moderno, mesmo que pequeno. Acho que seria legal usar o mesmo molde e esquema de venda do Tolocos, restaurante mexicano também localizado na Augusta. Compra-se o lanche e bebida no caixa, e com uma ficha, retira-se no balcão onde tudo é preparado. Sem cozinha interior, tudo preparado na hora e na frente do cliente; como na Europa ou Turquia. Seria interessante vender outros salgados turcos, como a pizza turca, por exemplo. A pizza turca é uma esfiha em forma de barca. O problema é que para isso um forno se faz necessário e a preparação da massa e recheio consumiria espaço e tempo. É uma questão a se pensar bastante ainda.

Voltando a falar do desing e marketing do restaurante, até o nome eu já tenho na cabeça: Istambul - culinária e cultura turca. Para criar uma identidade do nome com o local, fotos de lugares, escritores e temas relacionados à cultura turca seriam pendurados na parede. Estariam lá o Orham Pamuk, as imponentes mesquitas, o comércio turco, talvez alguns jogadores de futebol... Em preto e branco ficaria legal.

Ainda tenho muito a pensar e desenvolver sobre este ato empreendedor que me acometeu algum tempo atrás. Na verdade acho que já andei pensando até demais. Mas os sonhos são assim, não custa nada tê-los e já que se vai sonhar, é melhor sonhar grande.