Quando soube que uma banda de Chicago chamada Wilco existia, estava em Santo Anastácio, cidade da minha avó, sem muito o que fazer e, por isso, mudando de canal a cada segundo. Quando o logotipo da MTV apareceu, uma banda estava tocando, eram partes de um show do Tim Festival daquele ano (devia ser 2005), e a banda no palco, até então desconhecida pra mim, era o Wilco. Prendeu-me a atenção, não sei por quê. Na hora, encontrei uma certa semelhança, musical e visual, com o Neil Young. Parecia mais uma banda de coroas que fizeram sucesso em um passado remoto e por algum motivo, continuavam a tocar. Estava enganado, bastante.
Desde então, o Wilco vem acompanhando meu dia-a-dia e eu acompanhando seu trabalho, álbum por álbum, música por música. Logo após voltar de Santo Anastácio, em Campo Grande, me dei o trabalho de pegar um CD do Wilco na internet para saciar minha curiosidade. Inicialmente, as músicas do A ghost is born soaram um pouco sem graça para mim, com exceção da I´m a wheel. E confesso, demorou um bom tempo até que eu descobrisse a obra prima escondida naquele primeiro trabalho deles que escutei. Foi somente em Sorocaba - ainda no começo da faculdade, quando passava vários finais de semana em casa escutando música e lendo - que eu percebi como era legal escutar, logo quando acordava, aquele CD que começava calmo, se enfurecia, voltava a adormeder, pra logo depois acordar novamente com suas guitarras distorcidas. Viciei.
O curioso é que mesmo reconhecendo a obra prima do A ghost is born, demorei bastante pra conferir outros trabalhos do Wilco. E o pior, a escolha do segundo álbum deles pra baixar da internet não deve ter sido das melhores, pois, como na primeira vez, demorou bastante pros meus ouvidos se acostumarem com o Summerteeth. Quase cheguei a desistir do Wilco, achando que era mais uma daquelas bandas inconsistentes. Hoje penso que inconsistente seja talvez minha audição. O Yanke Hotel Foxtrot foi responsável por me mostrar que o Wilco era uma das bandas mais criativas e experimentais que eu já havia escutado. A partir daí, não tive nenhuma reticência adicional em relação ao trabalho deles. Passei a conferir os outros CDs que não conhecia e também aqueles que foram sendo lançados, como o Sky Blue Sky e o último álbum homônimo.
O Wilco também ficou mais popular no Brasil desde que comecei a escutá-los. Mesmo tendo participado do Tim Festival há mais ou menos 5 anos, eles não eram muito conhecidos e admirados no Brasil. Na verdade, até hoje ainda não são muito famosos, porém o número de fãs está sempre crescendo, acredito. Fiquei espantado quando, há mais ou menos seis meses, indo trabalhar em Jundiaí, escutei uma música do último álbum tocando na rádio. Quem diria, Wilco tocanco numa rádio brasileira! Concordo que o Wilco (The Album), aquele da capa esquisita com o camelo na frente, não é dos melhores, mas tenho que admitir que ele possui ótimas músicas e o melhor, em várias delas o Wilco continua experimentando bastante.
É uma grande pena, e isso já me aconteceu com outras bandas, que quando o Wilco se apresentou no Brasil eu ainda não os conhecia, perdendo assim a oportunidade de conferir suas músicas ao vivo. O mais próximo da vibração de um show que eu tenho hoje em dia é quando escuto a gravação ao vivo Kicking Television, que rendeu um CD duplo. Fico também esperando que um dia o Wilco volte a fazer uma turnê pela América do Sul e se apresente por aqui. Quem sabe logo? Tomara, sempre confiro no site oficial o calendário de shows.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Consegui!
Após longos meses, finalmente consegui um emprego! Irei trabalhar no KFW Bankengruppe, mais especificamente como Analista de MDL do Fundo de Carbono deste banco. Estou muito empolgado, e por diversos motivos: já era hora de eu começar a trabalhar e me parece que tanto a vaga quanto a empresa são muito interessantes.
Até me candidatar pra vaga na catho.com.br, nunca tinha ouvido falar deste banco. Na verdade ele não é muito conhecido mesmo, ainda mais pra nós brasileiros. Até a Helen, alemã, não conhecia. Acho que é porque ele não é um banco convencional pra pessoas "normais" abrir uma conta ou ter uma poupança. O banco KFW é um banco de desenvolvimento da Alemanha, criado em 1948, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o urgente objetivo de reconstruir a devastada Alemanha. E acredito que foi justamente isso que mais me interessou no KFW: esse banco tem um caráter social e ambiental muito forte. Logo após ajudar a reerguer a Alemanha, o banco passou a promover projetos de infra-estrutura, educação e preservação do meio ambiente em diversos países, principalmente nos mais pobres. Acho legal também o fato do KFW ter uma atuação em diversos seguimentos e presença global. Na verdade, o KFW é nosso BNDES, porém expandido.
Além de conseguir o bendito emprego, e esse emprego aparentemente ser muito interessante, fiquei também muito feliz e satisfeito por ter conseguido algo após muito esforço e dedicação. Assim que fiquei sabendo da vaga e me interessei pelo banco, passei a estudar todo dia sobre mercado de carbono e projetos MDL. Ficava grudado no computar de segunda a sexta lendo PDDs, Relatórios de Validação e Monitoramento, etc. Li também alguns livros e me preparei com o inglês e alemão. Não podia deixar essa oportunidade escapar.
O problema foi conter a ansiedade e frustração durante o longo processo seletivo. Quando fui chamado pra entrevista, marcada pro dia 30 de Novembro, achei que neste dia já poderia conseguir algo e estar empregado antes mesmo do Natal. Mas não foi tão simples assim. Neste mesmo dia o David, que me entrevistou e será meu futuro chefe, me disse que teria ainda a entrevista final, com outras pessoas, já marcada pro dia 22 de Janeiro. Caramba, pra quem achava que poderia estar trabalhando antes mesmo do Natal, ter que esperar mais 50 dias pra entrevista final, foi muito chato. Fazer o quê? E o pior, uma semana antes do tão esperado dia 22 de Janeiro - o Dia D - o David me mandou um e-mail falando que a entrevista teria que ser empurrada pro dia 5 de fevereiro. O motivo: a mulher dele traria o filho deles à vida justamente na semana da entrevista final. Bela hora pra se ter um bebê. De novo me perguntei: fazer o quê?
E no tal dia 5 de Fevereiro, aconteceu a entrevista final, e que como fiquei sabendo, não foi tão final assim. A entrevista com a mulher que administra o Fundo na Alemanha não aconteceu porque ela não pôde participar. Mas pelo menos foi bom pra me dar confiança (me saí muito bem com os três alemães que me entrevistaram) e tirar a ansiedade sobre a tarefa que eles dariam pra analisar um PDD e responder algumas questões. Na terça-feira, finalmente fui entrevistado pela Karen por telefone com o David intermediando, e achei que também tinha ido bem. Eles me dariam a resposta até o final da semana seguinte e eu teria que esperar de novo. Mas no dia seguinte, quarta-feira, o David me ligou e falou que eu havia sido escolhido! Fiquei meio bobo, parecia bom demais pra ser verdade, será que eu tinha entendido certo mesmo? Sim, era verdade, ainda bem! Só falta agora duas pessoas na Alemanha aprovarem a contratação, o que, segundo o David, não trará nenhuma surpresa.
Não vejo a hora de assinar o contrato e começar a trabalhar. Como disse no começo, estou muito empolgado e ansioso. Semana que vem irei provavelmente almoçar um dia com o David pra conversar e acertar sobre algumas coisas. Segundo ele, em março devo assinar o contrato e começar na labuta no início de Abril. Mais uma vez, só me resta esperar. Agora, pelo menos, com muito mais tranqüilidade!
Até me candidatar pra vaga na catho.com.br, nunca tinha ouvido falar deste banco. Na verdade ele não é muito conhecido mesmo, ainda mais pra nós brasileiros. Até a Helen, alemã, não conhecia. Acho que é porque ele não é um banco convencional pra pessoas "normais" abrir uma conta ou ter uma poupança. O banco KFW é um banco de desenvolvimento da Alemanha, criado em 1948, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o urgente objetivo de reconstruir a devastada Alemanha. E acredito que foi justamente isso que mais me interessou no KFW: esse banco tem um caráter social e ambiental muito forte. Logo após ajudar a reerguer a Alemanha, o banco passou a promover projetos de infra-estrutura, educação e preservação do meio ambiente em diversos países, principalmente nos mais pobres. Acho legal também o fato do KFW ter uma atuação em diversos seguimentos e presença global. Na verdade, o KFW é nosso BNDES, porém expandido.
Além de conseguir o bendito emprego, e esse emprego aparentemente ser muito interessante, fiquei também muito feliz e satisfeito por ter conseguido algo após muito esforço e dedicação. Assim que fiquei sabendo da vaga e me interessei pelo banco, passei a estudar todo dia sobre mercado de carbono e projetos MDL. Ficava grudado no computar de segunda a sexta lendo PDDs, Relatórios de Validação e Monitoramento, etc. Li também alguns livros e me preparei com o inglês e alemão. Não podia deixar essa oportunidade escapar.
O problema foi conter a ansiedade e frustração durante o longo processo seletivo. Quando fui chamado pra entrevista, marcada pro dia 30 de Novembro, achei que neste dia já poderia conseguir algo e estar empregado antes mesmo do Natal. Mas não foi tão simples assim. Neste mesmo dia o David, que me entrevistou e será meu futuro chefe, me disse que teria ainda a entrevista final, com outras pessoas, já marcada pro dia 22 de Janeiro. Caramba, pra quem achava que poderia estar trabalhando antes mesmo do Natal, ter que esperar mais 50 dias pra entrevista final, foi muito chato. Fazer o quê? E o pior, uma semana antes do tão esperado dia 22 de Janeiro - o Dia D - o David me mandou um e-mail falando que a entrevista teria que ser empurrada pro dia 5 de fevereiro. O motivo: a mulher dele traria o filho deles à vida justamente na semana da entrevista final. Bela hora pra se ter um bebê. De novo me perguntei: fazer o quê?
E no tal dia 5 de Fevereiro, aconteceu a entrevista final, e que como fiquei sabendo, não foi tão final assim. A entrevista com a mulher que administra o Fundo na Alemanha não aconteceu porque ela não pôde participar. Mas pelo menos foi bom pra me dar confiança (me saí muito bem com os três alemães que me entrevistaram) e tirar a ansiedade sobre a tarefa que eles dariam pra analisar um PDD e responder algumas questões. Na terça-feira, finalmente fui entrevistado pela Karen por telefone com o David intermediando, e achei que também tinha ido bem. Eles me dariam a resposta até o final da semana seguinte e eu teria que esperar de novo. Mas no dia seguinte, quarta-feira, o David me ligou e falou que eu havia sido escolhido! Fiquei meio bobo, parecia bom demais pra ser verdade, será que eu tinha entendido certo mesmo? Sim, era verdade, ainda bem! Só falta agora duas pessoas na Alemanha aprovarem a contratação, o que, segundo o David, não trará nenhuma surpresa.
Não vejo a hora de assinar o contrato e começar a trabalhar. Como disse no começo, estou muito empolgado e ansioso. Semana que vem irei provavelmente almoçar um dia com o David pra conversar e acertar sobre algumas coisas. Segundo ele, em março devo assinar o contrato e começar na labuta no início de Abril. Mais uma vez, só me resta esperar. Agora, pelo menos, com muito mais tranqüilidade!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Brasília e seus 50 anos
A capital brasileira, apesar de eu nunca a ter visitado, sempre me impressionou por sua arquitetura díspare, Plano Piloto modernista, e pelo simples fato de ter sido erguida, em apenas 3 anos, no meio do nada brasileiro. Em comemoração ao cinquentenário de Brasília, a Revista Veja publicou uma edição especial sobre a construção da cidade: desafios técnicos e financeiros, histórias das pessoas envolvidas neste empreedimento faraônico, como se deu a mudança da capital e curiosidades sobre a nova capital que surgiu e tanto dividiu opiniões.
Os motivos da construção de uma nova capital, que deveria representar a nova cara da política desenvolvimentista do governo JK, eram basicamente dois: deslocar a riqueza e linha de poder do eixo Rio-São Paulo, dando assim importância para uma região esquecida no meio do país; e construir uma capital mais segura, devido também à sua distante localização, que impediria um golpe de estado no Rio de Janeiro, antiga sede do governo brasileiro. A ideia da construção de uma capital inteiramente nova não foi, porém, aplaudida por todos. Muitos se tornaram céticos a respeito do prazo de construção, enquanto outros não queriam nem imaginar o fato de abandonar o Rio de Janeiro com suas praias e locais tão admirados. Entretanto, para desgosto dos oposicionistas, sendo Carlos Lacerda um dos mais ferrenhos, a Nova Capital saiu.
Porém, é exatamente na época da construção de Brasília que o Brasil começou a se deparar com altas taxas de inflação, causadas pelo déficit orçamentário que a construção causou. Estima-se que a capital custou 2 cruzados para cada brasileiro, dinheiro este que foi emitido para idealizar o sonho de JK. Inexistência de controle fiscal e orçamentário pela Novacap - empresa estatal que se responsabilizou pela construção de Brasília - impossibilitam estimar qual foi o exato custo que Brasília trouxe para o país e reforçam a ideia de que houve muita corrupção e desvio de verbas públicas, já que as obras precisavam ser realizadas a toque-de-caixa.
O concurso que escolheu o Plano Piloto de Lucio Costa - esboçado enquanto o mesmo fazia uma travessia de navio entre o Rio de Janeiro e Nova York - tinha como membro do juri o arquiteto Oscar Niemeyer, que ficou com a incubença de criar os prédios, monumentos e sede do governo federal de acordo com o plano de urbanização.
Devido à grandeza dos prédios do renomado arquiteto comunista, Lucio Costa ficou infelizmente um pouco apagado na história da construção de Brasília. Seu esboço urbanístico, hoje consolidado como uma capital de 50 anos e também patrimônio cultural, foi inovador e se diferencia de todas as outras capitais brasileiras: as ruas não recebem o nome de pessoas, mas são identificadas por números e quadras; longas e largas avenidas ligam blocos governamentais a bairros residencias, impossibilitanto assim que vários percursos sejam feitos a pé; grandes espaços ao ar livre fazem com que aglomerações de pessoas, para desgosto dos políticos vaidosos, se tornem quase impossíveis. Uma curiosidade é que Lucio Costa só esteve duas vezes na capital que desenhou. Não se sentia bem em estar em um lugar que ele e a mulher sonharam, visto que sua esposa faleceu antes da inauguração da capital.
Do ponto de vista da engenharia, a construção de Brasília foi um marco para o Brasil e o mundo. Sem contar o prazo enstrangulador, não era nada fácil colocar em pé as curvas idealizadas por Niemeyer, e para isso o arquiteto tinha como braço direito o engenheiro estrutural Joaquim Cardozo. Para que os projetos se materializassem, Cardozo utilizou muito mais ferro - importado dos EUA - nas estruturas de concreto do que a norma recomendava na época. Segundo a revista, o engenheiro morreu, aos 81 anos, triste e só. Após a construção de Brasília, uma obra desenhada por Niemeyer e calculada por ele, desabou, matando vários operários.
Outra figura de fim trágico que merece destaque é o desbravador Bernardo Sayão. Na época, diretor da Novacap, Sayão era responsável pela construção da rodovia Belém-Brasília. Afinal, era preciso ligar a nova capital, localizada em lugar nenhum, às outras cidades. Com fama de espírito aventureiro e gosto pelo trabalho, Sayão morreu vítima de uma árvore que caiu e o atingiu dentro de sua barraca pouco antes das duas frentes de trabalho se encontrarem. Sua morte foi considerada uma perda inestimável para as novas feições do cerrado que estava para nascer.
No dia da inauguração, menos de 2% dos funcionários públicos realmente se mudaram para o novo posto de trabalho. Muitos dos que o fizeram, principalmente os políticos, reclamaram da falta de conforto das moradias inacabadas e muitas delas ainda sem móveis. Outros, os mais radicais que ficaram, ameaçaram reabrir o Palácio do Catete e continuar a trabalhar normalmente na antiga capital. Apesar da grandiosidade do feito, faltou no início de vida da capital, assessoria de imprensa reponsabilizada em registrar a festa de inaguração e os primeiros momentos de Brasília. Essa tarefa ficou a cargo de fotógrafos independentes, alguns deles estrangeiros, que lançavam sobre Brasília um olhar exógeno, diferente.
Diferente da época da concepção e construção, atualmente não se questiona se Brasília foi um erro ou não, parece que a capital no meio do nada provou sua inocência ou justificou sua existência. Inúmeras tranformações vêm ocorrendo, como a alta especulação imobiliária e a criação de cidades satélites, visto que o Plano Piloto não conseguiu abrigar a todos que se interessaram e fazer parta da história da Nova Capital. É lastimável também que esta cidade ímpar seja palco de inúmeros atos ilícitos e egoístas por parte daqueles que deveriam governar o país e tentar criar um futuro mais promissor para a população. Quem sabe um dia, Brasília.
Os motivos da construção de uma nova capital, que deveria representar a nova cara da política desenvolvimentista do governo JK, eram basicamente dois: deslocar a riqueza e linha de poder do eixo Rio-São Paulo, dando assim importância para uma região esquecida no meio do país; e construir uma capital mais segura, devido também à sua distante localização, que impediria um golpe de estado no Rio de Janeiro, antiga sede do governo brasileiro. A ideia da construção de uma capital inteiramente nova não foi, porém, aplaudida por todos. Muitos se tornaram céticos a respeito do prazo de construção, enquanto outros não queriam nem imaginar o fato de abandonar o Rio de Janeiro com suas praias e locais tão admirados. Entretanto, para desgosto dos oposicionistas, sendo Carlos Lacerda um dos mais ferrenhos, a Nova Capital saiu.
Porém, é exatamente na época da construção de Brasília que o Brasil começou a se deparar com altas taxas de inflação, causadas pelo déficit orçamentário que a construção causou. Estima-se que a capital custou 2 cruzados para cada brasileiro, dinheiro este que foi emitido para idealizar o sonho de JK. Inexistência de controle fiscal e orçamentário pela Novacap - empresa estatal que se responsabilizou pela construção de Brasília - impossibilitam estimar qual foi o exato custo que Brasília trouxe para o país e reforçam a ideia de que houve muita corrupção e desvio de verbas públicas, já que as obras precisavam ser realizadas a toque-de-caixa.
O concurso que escolheu o Plano Piloto de Lucio Costa - esboçado enquanto o mesmo fazia uma travessia de navio entre o Rio de Janeiro e Nova York - tinha como membro do juri o arquiteto Oscar Niemeyer, que ficou com a incubença de criar os prédios, monumentos e sede do governo federal de acordo com o plano de urbanização.
Devido à grandeza dos prédios do renomado arquiteto comunista, Lucio Costa ficou infelizmente um pouco apagado na história da construção de Brasília. Seu esboço urbanístico, hoje consolidado como uma capital de 50 anos e também patrimônio cultural, foi inovador e se diferencia de todas as outras capitais brasileiras: as ruas não recebem o nome de pessoas, mas são identificadas por números e quadras; longas e largas avenidas ligam blocos governamentais a bairros residencias, impossibilitanto assim que vários percursos sejam feitos a pé; grandes espaços ao ar livre fazem com que aglomerações de pessoas, para desgosto dos políticos vaidosos, se tornem quase impossíveis. Uma curiosidade é que Lucio Costa só esteve duas vezes na capital que desenhou. Não se sentia bem em estar em um lugar que ele e a mulher sonharam, visto que sua esposa faleceu antes da inauguração da capital.
Do ponto de vista da engenharia, a construção de Brasília foi um marco para o Brasil e o mundo. Sem contar o prazo enstrangulador, não era nada fácil colocar em pé as curvas idealizadas por Niemeyer, e para isso o arquiteto tinha como braço direito o engenheiro estrutural Joaquim Cardozo. Para que os projetos se materializassem, Cardozo utilizou muito mais ferro - importado dos EUA - nas estruturas de concreto do que a norma recomendava na época. Segundo a revista, o engenheiro morreu, aos 81 anos, triste e só. Após a construção de Brasília, uma obra desenhada por Niemeyer e calculada por ele, desabou, matando vários operários.
Outra figura de fim trágico que merece destaque é o desbravador Bernardo Sayão. Na época, diretor da Novacap, Sayão era responsável pela construção da rodovia Belém-Brasília. Afinal, era preciso ligar a nova capital, localizada em lugar nenhum, às outras cidades. Com fama de espírito aventureiro e gosto pelo trabalho, Sayão morreu vítima de uma árvore que caiu e o atingiu dentro de sua barraca pouco antes das duas frentes de trabalho se encontrarem. Sua morte foi considerada uma perda inestimável para as novas feições do cerrado que estava para nascer.
No dia da inauguração, menos de 2% dos funcionários públicos realmente se mudaram para o novo posto de trabalho. Muitos dos que o fizeram, principalmente os políticos, reclamaram da falta de conforto das moradias inacabadas e muitas delas ainda sem móveis. Outros, os mais radicais que ficaram, ameaçaram reabrir o Palácio do Catete e continuar a trabalhar normalmente na antiga capital. Apesar da grandiosidade do feito, faltou no início de vida da capital, assessoria de imprensa reponsabilizada em registrar a festa de inaguração e os primeiros momentos de Brasília. Essa tarefa ficou a cargo de fotógrafos independentes, alguns deles estrangeiros, que lançavam sobre Brasília um olhar exógeno, diferente.
Diferente da época da concepção e construção, atualmente não se questiona se Brasília foi um erro ou não, parece que a capital no meio do nada provou sua inocência ou justificou sua existência. Inúmeras tranformações vêm ocorrendo, como a alta especulação imobiliária e a criação de cidades satélites, visto que o Plano Piloto não conseguiu abrigar a todos que se interessaram e fazer parta da história da Nova Capital. É lastimável também que esta cidade ímpar seja palco de inúmeros atos ilícitos e egoístas por parte daqueles que deveriam governar o país e tentar criar um futuro mais promissor para a população. Quem sabe um dia, Brasília.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O Segundo Mundo: impérios e influência na nova ordem global
Parag Khanna é um jovem cientista político nascido na Índia e criado nos Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Alemanha. Já trabalhou para instituições de peso como Foro Econômico Mundial em Genebra, Conselho de Relações Exteriores e atuou como assessor geopolítico das Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão. Em seu recente livro, O Segundo Mundo, Khanna aborda a relação das maiores superpotências mundiais, China, EUA e União Européia, com os países denominados de segundo mundo - que mesclam características tanto de países desenvolvidos como de em desenvolvimento. As específicas análises de cada país, divididos em capítulos, nos dão noção de como a nova ordem global vai se desenvolvendo através de novas alianças, investimentos e conflitos entre os países.
No decorrer do livro, é perceptível a maneira, muitas vezes destoante, que cada superpotência explora sua política externa e desenvolve novas parcerias e programas de cooperação com as nações de segundo mundo. Os Estados Unidos, basicamente, praticam uma política externa baseada em interesses e demasiadamente preocupada com o terrorismo. Suas ações, diferentemente do bloco europeu, não conseguiram integrar economicamente o vizinho México, que há 20 anos era uma das maiores apostas do desenvolvimento econômico mas que não conseguiu decolar. Enquanto isso, a China vem fazendo acordos de cooperação e investimentos em infra-estrutura com inúmeros países em desenvolvimento de todos os continentes, recebendo em troca energia para continuar crescendo à mesma taxa. Sua atuação é muito mais expressiva que a dos Estados Unidos, e Pequim não se importa em negociar com diferentes tipos de regimes, mesmo que ditatoriais. Afinal, a China é uma ditadura: possui uma pujante economia de mercado onde o Estado controla basicamente tudo. Já a Europa, figura entre as outras duas superpotências com um modelo expansionista, arquitetando políticas e metodologias para a adesão de mais países ao maior bloco político e econômico do mundo. Sua eficiente maneira de integrar países vizinhos mais pobres é um exemplo para outros blocos. A livre circulação e melhoria na qualidade de vida dos cidadãos dos países-membros já é uma realidade.
Os perspicazes relatos dos países me atraíram muito, acredito que o fato do autor ter viajado para mais de 100 países contribuiu bastante para a qualidade dos textos. Em especial, gostei de ler sobre a Líbia, Cazaquistão e Malásia, países que eu não conhecia muito a respeito, mas que me surpreenderam por suas qualidades e políticas assertivas. A Líbia, apesar de ser considerada país terrorista pelos EUA, possui a maior renda per-capita da região, atraindo pessoas do Marrocos, Egito e Tunísia. O Cazaquistão, que destoa de todos os outros países istões, se assemelha com a Turquia ao possuir a chamada política multivetorial, característica quando um país se relaciona bem com outros Estados antagônicos. Seus oleodutos, comparados pelo autor com cabos de fibra ótica como vestígios invisíveis da globalização, estão garantindo crescimento econômico e deslocando o eixo de relações da Rússia para a China, que por sua vez tem investido maciçamente no setor energético cazaque. Khanna também aborda a questão da religião e sua relação com os países, sendo a Malásia um caso exemplar, onde o islamismo é considerado moderado e não interfere negativamente na vida das pessoas. A Malásia é também um exemplo de gestão econômica moderada – protegendo dos excessos que o capitalismo pode provocar - que deu certo e os frutos, garantidos pelo crescimento econômico, estão sendo colhidos.
As análises sobre o Brasil e sua relação com as superpotências são verdadeiras e profundas, mas às vezes um pouco exageradas. O autor comentou sobre a produção e utilização do etanol como combustível para veículos, constituindo um exemplo para diminuir a dependência de combustíveis fósseis. Abordou também o crescimento econômico que não é dividido igualmente entre os cidadãos, criando condições para o florescimento da violência e crime organizado. Porém, relatou de maneira exagerada, que pessoas da alta sociedade não podem ficar tranquilas nem em restaurantes xiques, õque suas bolsas podem ser roubadas a qualquer momento. Achei também que faltou abordar mais sobre o Mercosul, e já que este bloco não ocupa posição de destaque no mundo ou seja exemplo de acerto, haveria motivo e lugar para críticas e comentários.
A falta de capítulos destinados à Africa do Sul e Índia também me surpreenderam. Acredito que a frustração do autor com sua terra natal, mesmo esta tendo atingido elevados índices de crescimento nos últimos anos, o tenha motivado para excluí-la injustamente do livro. Gostaria de saber mais sobre a complexa e atritante relação diplomática entre Índia e China, já que a última foi considerada no livro uma das três superpotência globais. Já sobre a África do Sul, gostaria de saber como se dá a relação das potências com este país, visto que ele se situa, de maneira geral, igualmente distante das três. A contrário do que foi comentado por um blogueiro, a maneira superficial com que os países da América Latina, em comparação com os da Ásia Central ou Oriente Médio, foram analisados, não me surpreendeu. Acredito que os países asiáticos possuem elementos chave muito mais interessantes que tangem temas como globalização, religião, geopolítica e acelerados crescimentos econômicos.
Ao ler o livro, a mensagem é clara: a estratégia energética desempenha hoje um papel ainda maior na globalização e relação entre Estados. Da mesma maneira que reservas energéticas podem salvar um país, é possível, através de gestão ineficiente e corrupção, que esta dádiva contribua para a total destruição democrática e social de uma nação. É este o caso da Venezuela, membro da OPEP que, admiravelmente, enfrenta hoje racionamento de água e energia. Ficou evidente também que a política externa dos Estados Unidos não tem trazido resultados positivos, e a imagem deste país no mundo, sobretudo no Oriente Médio, está casa vez pior. O autor ainda enfatiza, que se a atual maior potância do mundo não tomar cuidado e inverter o jogo, é provável que descambe para o segundo mundo. Sem contar que quando o livro foi escrito, a crise mundial financeira, que abalou principalmente os EUA, não havia eclodido ainda. É preciso tomar cuidado, a geopolítica é um constante jogo sem fim onde os times revezam a liderança.
No decorrer do livro, é perceptível a maneira, muitas vezes destoante, que cada superpotência explora sua política externa e desenvolve novas parcerias e programas de cooperação com as nações de segundo mundo. Os Estados Unidos, basicamente, praticam uma política externa baseada em interesses e demasiadamente preocupada com o terrorismo. Suas ações, diferentemente do bloco europeu, não conseguiram integrar economicamente o vizinho México, que há 20 anos era uma das maiores apostas do desenvolvimento econômico mas que não conseguiu decolar. Enquanto isso, a China vem fazendo acordos de cooperação e investimentos em infra-estrutura com inúmeros países em desenvolvimento de todos os continentes, recebendo em troca energia para continuar crescendo à mesma taxa. Sua atuação é muito mais expressiva que a dos Estados Unidos, e Pequim não se importa em negociar com diferentes tipos de regimes, mesmo que ditatoriais. Afinal, a China é uma ditadura: possui uma pujante economia de mercado onde o Estado controla basicamente tudo. Já a Europa, figura entre as outras duas superpotências com um modelo expansionista, arquitetando políticas e metodologias para a adesão de mais países ao maior bloco político e econômico do mundo. Sua eficiente maneira de integrar países vizinhos mais pobres é um exemplo para outros blocos. A livre circulação e melhoria na qualidade de vida dos cidadãos dos países-membros já é uma realidade.
Os perspicazes relatos dos países me atraíram muito, acredito que o fato do autor ter viajado para mais de 100 países contribuiu bastante para a qualidade dos textos. Em especial, gostei de ler sobre a Líbia, Cazaquistão e Malásia, países que eu não conhecia muito a respeito, mas que me surpreenderam por suas qualidades e políticas assertivas. A Líbia, apesar de ser considerada país terrorista pelos EUA, possui a maior renda per-capita da região, atraindo pessoas do Marrocos, Egito e Tunísia. O Cazaquistão, que destoa de todos os outros países istões, se assemelha com a Turquia ao possuir a chamada política multivetorial, característica quando um país se relaciona bem com outros Estados antagônicos. Seus oleodutos, comparados pelo autor com cabos de fibra ótica como vestígios invisíveis da globalização, estão garantindo crescimento econômico e deslocando o eixo de relações da Rússia para a China, que por sua vez tem investido maciçamente no setor energético cazaque. Khanna também aborda a questão da religião e sua relação com os países, sendo a Malásia um caso exemplar, onde o islamismo é considerado moderado e não interfere negativamente na vida das pessoas. A Malásia é também um exemplo de gestão econômica moderada – protegendo dos excessos que o capitalismo pode provocar - que deu certo e os frutos, garantidos pelo crescimento econômico, estão sendo colhidos.
As análises sobre o Brasil e sua relação com as superpotências são verdadeiras e profundas, mas às vezes um pouco exageradas. O autor comentou sobre a produção e utilização do etanol como combustível para veículos, constituindo um exemplo para diminuir a dependência de combustíveis fósseis. Abordou também o crescimento econômico que não é dividido igualmente entre os cidadãos, criando condições para o florescimento da violência e crime organizado. Porém, relatou de maneira exagerada, que pessoas da alta sociedade não podem ficar tranquilas nem em restaurantes xiques, õque suas bolsas podem ser roubadas a qualquer momento. Achei também que faltou abordar mais sobre o Mercosul, e já que este bloco não ocupa posição de destaque no mundo ou seja exemplo de acerto, haveria motivo e lugar para críticas e comentários.
A falta de capítulos destinados à Africa do Sul e Índia também me surpreenderam. Acredito que a frustração do autor com sua terra natal, mesmo esta tendo atingido elevados índices de crescimento nos últimos anos, o tenha motivado para excluí-la injustamente do livro. Gostaria de saber mais sobre a complexa e atritante relação diplomática entre Índia e China, já que a última foi considerada no livro uma das três superpotência globais. Já sobre a África do Sul, gostaria de saber como se dá a relação das potências com este país, visto que ele se situa, de maneira geral, igualmente distante das três. A contrário do que foi comentado por um blogueiro, a maneira superficial com que os países da América Latina, em comparação com os da Ásia Central ou Oriente Médio, foram analisados, não me surpreendeu. Acredito que os países asiáticos possuem elementos chave muito mais interessantes que tangem temas como globalização, religião, geopolítica e acelerados crescimentos econômicos.
Ao ler o livro, a mensagem é clara: a estratégia energética desempenha hoje um papel ainda maior na globalização e relação entre Estados. Da mesma maneira que reservas energéticas podem salvar um país, é possível, através de gestão ineficiente e corrupção, que esta dádiva contribua para a total destruição democrática e social de uma nação. É este o caso da Venezuela, membro da OPEP que, admiravelmente, enfrenta hoje racionamento de água e energia. Ficou evidente também que a política externa dos Estados Unidos não tem trazido resultados positivos, e a imagem deste país no mundo, sobretudo no Oriente Médio, está casa vez pior. O autor ainda enfatiza, que se a atual maior potância do mundo não tomar cuidado e inverter o jogo, é provável que descambe para o segundo mundo. Sem contar que quando o livro foi escrito, a crise mundial financeira, que abalou principalmente os EUA, não havia eclodido ainda. É preciso tomar cuidado, a geopolítica é um constante jogo sem fim onde os times revezam a liderança.
Como no entre-guerras
Durante a grande depressão do período do entre-guerras, houve um expressivo aumento na freqüência com que as pessoas visitavam as salas de cinema. A explicação é simples: os numerosos desempregados possuíam tempo livre demais, e como os preços para assistir aos filmes naquela época, diferente dos praticados hoje, eram muito baixos, ir ao cinema passou a ser um dos hobbys preferidos das famílias. E, mesmo minhas circunstâncias atuais diferindo ligeiramente da época citada (tempo de sobra e apesar dos altos preços, possuo ainda a mágica carteirinha de estudante), também tenho ido frequentemente ao cinema. Só na semana passada, estive três dias seguidos frente a frente com a telona para ver alguns filmes que gostei bastante.
O primeiro deles que assisti foi Uma prova de Amor, com a ótima Abigail Breslin e Cameron Diaz. Desde que eu assisti ao hilário Pequena Miss Sunshine, acabei virando fã da Abigail. Agora ela provou de uma vez por todas que é uma ótima atriz, já que sua atuação neste último filme, dramático, se deu de uma forma totalmente diferente em comparação com seu papel de estréia. Grandes responsabilidades e a amargura de conviver com a irmã mais velha que está à beira da morte tomaram o lugar daquela menina que apenas se preocupava em ganhar um concurso infantil de beleza. Gostei bastante também do artifício utilizado neste filme, que alterna o ponto de vista e dificuldades enfrentadas entre os principais atores, quando seus pensamentos ganham voz.
Em seguida fui ao cinema para assistir ao belíssimo A Partida, longa japonês ganhador do Oscar deste ano na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Não foi por menos, o filme toca em um conflito, de maneira triste e cômica, vivenciado por muitas pessoas: os problemas de auto-afirmação criados quando a satisfação profissional vai de encontro à própria reputação. O jovem protagonista, que atrai o carisma da platéia com sua maneira simples de viver e encarar a vida, após perder a vaga como músico em uma orquestra japonesa, resolve se mudar com a namorada para uma pequena cidade do interior onde passou sua infância. Chegando lá, encontra um misterioso anúncio de emprego e resolve se candidatar, porém, não faz idéia do tipo de emprego que o aguarda, algo como preparador de corpos para rituais de despedidas. Apesar do espanto e aversão no primeiro momento com o novo ofício, ele vai se acostumando e até ganhando gosto pela rotina. O problema é, justamente, que as pessoas à sua volta, inclusive sua namorada, não vêem as coisas assim. O filme mostra muito da cultura japonesa ao retratar vários rituais pós-morte e a reação dos familiares. Sem falar no final, que emociona até aos telespectadores mais durões.
No terceiro dia seguido, fui conferir o muito comentado Salve Geral, que mostra como pano de fundo, os ataques do PCC ocorridos no Estado de São Paulo. Entretanto, o enfoque central fica na relação mãe e filho, e tudo o que aquela é capaz de fazer para o último, mesmo este estando errado. È outro filme que explora com alarde a violência brasileira nas ruas, penitenciárias e, também, por que não, a negociação entre Estado e facções criminosas. Infelizmente, este é o filme que vai representar o Brasil na próxima edição do Oscar, e, consequentemente, é o tipo de produção que é assistida pelos estrangeiros. Acho uma pena que este é o tipo de filme que exporta nossas produções cinematográficas, reforçando assim a visão de que no Brasil só existe violência e favelas. Já passou da hora de sairmos do tema-comum da violência e enfatizar filmes que mostram a criatividade do brasileiro, como por exemplo, O Homem que copiava ou O cheiro do ralo, para citar alguns.
Não é só no cinema que tenho conferido as novidades cinematográficas. Agora que mudei para uma casa (fato que quero abordar em outro post) e meu computador está em meu quarto, tenho assistido aos filmes que estão no PC com muito mais facilidade. Não preciso mais passar o arquivo para um pen drive, descarregar no laptop, e, finalmente, liga-lo à TV para poder assistir ao filme. Como o monitor, mesmo que não muito grande, fica perto da cama, fica tranqüilo de assistir pelo computador mesmo.
Nos últimos dias assisti O casamento Sírio e o alemão O Complexo Baader-Meinhof. Fazia já muito tempo que eu esperava pra conferir o primeiro, mas valeu a pena esperar! O filme mostra, no estilo kafkiano, as dificuldades de uma noiva para cruzar a fronteira entre Israel e Síria e se casar com seu pretendente, um apresentador de TV que nunca viu pessoalmente. Interessante por mostrar os problemas e burocracia entre os países árabes da região e Israel, e não menos por revelar alguns fragmentos da cultura árabe, como o casamento marcado, vivência no exílio em busca de outras oportunidades e xenofobia. Já o filme alemão - que eu da mesma maneira esperei bastante pra ver, após me deparar inúmeras vezes com seus cartazes avermelhados no metrô de Londres -, retrata a história, de sua ascensão ao trágico fim, do grupo alemão ocidental e denominado terrorista Baader-Meinhof, ou apenas RAF. O filme tem quase duas horas e meia de duração, mas, exatamente como Munique, é condensado, inspirados em fatos reais e ao acabar, nos dá sensação de pouco. Os dois filmes se assemelham também pelo fato de mostrar atentados terroristas, sendo os do grupo Baader-Meinhof devido às injustiças sociais espalhadas pelo mundo e, principalmente, a condescendência dos regimes; já o filme Munique, tem como eixo central os ataques, ou melhor, retaliações, entre o Mossad e grupos palestinos. O fechamento de O Complexo Baader-Meinhof é inquietante, mostra os principais integrantes do grupo encontrados mortos em suas celas, supostamente vítimas do suicídio, porém, deixa no ar se eles realmente se mataram ou foram assassinados pela polícia repressora.
O primeiro deles que assisti foi Uma prova de Amor, com a ótima Abigail Breslin e Cameron Diaz. Desde que eu assisti ao hilário Pequena Miss Sunshine, acabei virando fã da Abigail. Agora ela provou de uma vez por todas que é uma ótima atriz, já que sua atuação neste último filme, dramático, se deu de uma forma totalmente diferente em comparação com seu papel de estréia. Grandes responsabilidades e a amargura de conviver com a irmã mais velha que está à beira da morte tomaram o lugar daquela menina que apenas se preocupava em ganhar um concurso infantil de beleza. Gostei bastante também do artifício utilizado neste filme, que alterna o ponto de vista e dificuldades enfrentadas entre os principais atores, quando seus pensamentos ganham voz.
Em seguida fui ao cinema para assistir ao belíssimo A Partida, longa japonês ganhador do Oscar deste ano na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Não foi por menos, o filme toca em um conflito, de maneira triste e cômica, vivenciado por muitas pessoas: os problemas de auto-afirmação criados quando a satisfação profissional vai de encontro à própria reputação. O jovem protagonista, que atrai o carisma da platéia com sua maneira simples de viver e encarar a vida, após perder a vaga como músico em uma orquestra japonesa, resolve se mudar com a namorada para uma pequena cidade do interior onde passou sua infância. Chegando lá, encontra um misterioso anúncio de emprego e resolve se candidatar, porém, não faz idéia do tipo de emprego que o aguarda, algo como preparador de corpos para rituais de despedidas. Apesar do espanto e aversão no primeiro momento com o novo ofício, ele vai se acostumando e até ganhando gosto pela rotina. O problema é, justamente, que as pessoas à sua volta, inclusive sua namorada, não vêem as coisas assim. O filme mostra muito da cultura japonesa ao retratar vários rituais pós-morte e a reação dos familiares. Sem falar no final, que emociona até aos telespectadores mais durões.
No terceiro dia seguido, fui conferir o muito comentado Salve Geral, que mostra como pano de fundo, os ataques do PCC ocorridos no Estado de São Paulo. Entretanto, o enfoque central fica na relação mãe e filho, e tudo o que aquela é capaz de fazer para o último, mesmo este estando errado. È outro filme que explora com alarde a violência brasileira nas ruas, penitenciárias e, também, por que não, a negociação entre Estado e facções criminosas. Infelizmente, este é o filme que vai representar o Brasil na próxima edição do Oscar, e, consequentemente, é o tipo de produção que é assistida pelos estrangeiros. Acho uma pena que este é o tipo de filme que exporta nossas produções cinematográficas, reforçando assim a visão de que no Brasil só existe violência e favelas. Já passou da hora de sairmos do tema-comum da violência e enfatizar filmes que mostram a criatividade do brasileiro, como por exemplo, O Homem que copiava ou O cheiro do ralo, para citar alguns.
Não é só no cinema que tenho conferido as novidades cinematográficas. Agora que mudei para uma casa (fato que quero abordar em outro post) e meu computador está em meu quarto, tenho assistido aos filmes que estão no PC com muito mais facilidade. Não preciso mais passar o arquivo para um pen drive, descarregar no laptop, e, finalmente, liga-lo à TV para poder assistir ao filme. Como o monitor, mesmo que não muito grande, fica perto da cama, fica tranqüilo de assistir pelo computador mesmo.
Nos últimos dias assisti O casamento Sírio e o alemão O Complexo Baader-Meinhof. Fazia já muito tempo que eu esperava pra conferir o primeiro, mas valeu a pena esperar! O filme mostra, no estilo kafkiano, as dificuldades de uma noiva para cruzar a fronteira entre Israel e Síria e se casar com seu pretendente, um apresentador de TV que nunca viu pessoalmente. Interessante por mostrar os problemas e burocracia entre os países árabes da região e Israel, e não menos por revelar alguns fragmentos da cultura árabe, como o casamento marcado, vivência no exílio em busca de outras oportunidades e xenofobia. Já o filme alemão - que eu da mesma maneira esperei bastante pra ver, após me deparar inúmeras vezes com seus cartazes avermelhados no metrô de Londres -, retrata a história, de sua ascensão ao trágico fim, do grupo alemão ocidental e denominado terrorista Baader-Meinhof, ou apenas RAF. O filme tem quase duas horas e meia de duração, mas, exatamente como Munique, é condensado, inspirados em fatos reais e ao acabar, nos dá sensação de pouco. Os dois filmes se assemelham também pelo fato de mostrar atentados terroristas, sendo os do grupo Baader-Meinhof devido às injustiças sociais espalhadas pelo mundo e, principalmente, a condescendência dos regimes; já o filme Munique, tem como eixo central os ataques, ou melhor, retaliações, entre o Mossad e grupos palestinos. O fechamento de O Complexo Baader-Meinhof é inquietante, mostra os principais integrantes do grupo encontrados mortos em suas celas, supostamente vítimas do suicídio, porém, deixa no ar se eles realmente se mataram ou foram assassinados pela polícia repressora.
Celebrando os amigos: Rio de Janeiro, 31/10/09
Finalmente conheci, junto com a Danusa, a cidade maravilhosa e, apesar do meu desinteresse inicial e habitual pela antiga capital brasileira, gostei muito do Rio de Janeiro e me surpreendi positivamente. Nas palavras de Parag Khanna, autor do livro “O Segundo Mundo”, que estou lendo atualmente, “...é difícil dizer se ó o Rio que está invadindo a natureza ou a natureza é que está invadindo o Rio, um se sobrepondo à outra e vice-versa.” E realmente, o verde está presente de maneira expressiva em quase toda a cidade: da janela do bem localizado apartamento do Pedro e do Marlon (nossos anfitriões), onde é possível ver também o Cristo Redentor; dando uma volta na Lagoa Rodrigo de Freitas; no Jardim botânico; nas praias, etc.
No primeiro dia na capital carioca, eu e a Danusa fomos com o Pedro e o Marlon até uma praia depois da Barra da Tijuca. Os dois acabaram indo para uma praia de nudismo ao lado enquanto eu e a Danusa ficamos tomando cerveja e comendo pasteizinhos de camarão, eu na sombra e ela no sol. O mais legal foi o longo caminho até nosso destino. Passamos por vários lugares legais, sendo o de maior destaque o Parque Nacional da Tijuca, onde no meio do íngreme e tortuoso caminho, paramos na Vista Chinesa pra ter uma linda paisagem da Zona Sul da cidade. Porém, confesso que achei a Barra muito sem graça, basicamente constituída de prédios pomposos e bem espaçados entre si, durante a interminável via reta à beira-mar.
Para finalizar o primeiro e produtivo dia, fomos à Lapa e sentamos em um boteco, onde conversamos por horas e demos risada. Eu e o Pedro ficamos revivendo histórias do Winterkurs em Berlim e contando novidades de nossas vidas. A Danusa, diferente de mim, imaginou a Lapa como um lugar chique, como a Vila Madalena. Acabou levando um choque com a diversidade cultural e social das pessoas que estavam neste bairro do centro. Eu, não sei por que, já sabia que a lapa abrigava desde mendigos e crianças de rua até playboys e jovens endinheirados. Achei legal este contraste, as pessoas ficam em pé na rua conversando e gostei particularmente dos altos arcos que cortam os bares.
No segundo dia não tivemos tanta sorte com o tempo, São Pedro nos castigou com chuvas e nuvens que estragaram totalmente nosso passeio ao Pão de Açúcar. Ainda no primeiro ponto, não conseguimos ver mais nada por causa da neblina e na travessia para o topo, os cabos de aço sumiam na brancura total, era como se eles não estivessem amarrados em lugar algum. Fiquei cabreiro com a Danusa de ela ter insistido em fazer o passeio mesmo com o mal tempo, gastamos dinheiro à toa e ficamos frustrados. Acredito que no fundo, mesmo não tendo assumido, ela aprendeu que certas coisas é melhor deixar para depois. Como o sol se recusou a sair, passamos o resto do dia num Shopping e mais a noite fomos a um cinema em Botafogo. Assistimos 3 Macacos, filme turco não muito emocionante, porém, com uma fotografia bonita. De volta ao apê, o Marlon colocou um DVD de curtas do Veit Helmer, um cineasta alemão que eu não conhecia. Não vimos todos os curtas mas gostei bastante de um de estilo bem original e experimental (como quase todos os outros que vi) que se passava na Fernsehturm.
O tempo voltou a melhorar no nosso último dia no Rio, mas, mesmo assim, na hora de pegar o trem para subir o Corcovado, fomos surpreendidos por nuvens que insistiam em esconder a estátua do Senhor. Acabamos desistindo na última hora e ficamos, novamente, frustrados. Mas pelo menos desta vez não gastamos nenhum tostão. Aproveitamos as duas últimas horas de luz para ir a Praia de Copacabana e Arpoador, parecia um formigueiro humano. Antes da tentativa de obter uma vista panorâmica da Cidade Maravilhosa, havíamos conhecido o Jardim Botânico (belíssimo!), passeado em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas e caminhado até Ipanema. À noite ficamos conversando e dando risada e fiz a prometida pizza pro Pedro e Marlon, uma assadeira de manjericão e outra de portuguesa. Ficaram ótimas, acertei em cheio na massa.
Achei o Rio totalmente diferente de São Paulo, cidade a qual estou acostumado a ir. As duas apenas se assemelham no tamanho, porém, a dinâmica, visual e opções de cada uma são totalmente diferentes. As pessoas no Rio são mais alegres e amistosas, sendo o corolário desta minha teoria o comportamento dos cobradores dos ônibus urbanos: enquanto os da capital paulista mal abrem a boca pra dar uma informação requisitada, os do Rio são sorridentes e dispostos. Achei interessante também os vários palácios que ficavam perto da casa do Pedro, resquícios da época colonial e de quando o Rio era capital federal. As favelas, também diferentemente de São Paulo, onde se localizam basicamente na periferia, estão incrustadas por toda a cidade. A da Rocinha surpreende pelo imenso tamanho e o Morro Santa Marta me chamou a atenção por ser um caso de sucesso onde o tráfico foi erradicado.
Como ficamos poucos dias, nos limitamos quase que basicamente a conhecer a Zona Sul, fomos muito pouco pra Norte. Fora a noite em que fomos pra Lapa, nosso contato com a parte mais pobre da cidade foi apenas visual, na hora em que o avião se aproximou do Rio, pouco antes de pousar no Santos Dumont. Essas imagens que tivemos, tanto no pouso como na decolagem, foram sensacionais: no dia de chegada vimos o Maracanã, a Ponte Rio – Niterói e plataformas de petróleo próximas à costa; na volta, sobrevoamos os mesmos lugares em que visitamos durante nossa estada, a Enseada de Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra e Prainha. O vôo foi muito rápido, antes de terminar de tomar minha Coca, a avião já começou a descer.
No primeiro dia na capital carioca, eu e a Danusa fomos com o Pedro e o Marlon até uma praia depois da Barra da Tijuca. Os dois acabaram indo para uma praia de nudismo ao lado enquanto eu e a Danusa ficamos tomando cerveja e comendo pasteizinhos de camarão, eu na sombra e ela no sol. O mais legal foi o longo caminho até nosso destino. Passamos por vários lugares legais, sendo o de maior destaque o Parque Nacional da Tijuca, onde no meio do íngreme e tortuoso caminho, paramos na Vista Chinesa pra ter uma linda paisagem da Zona Sul da cidade. Porém, confesso que achei a Barra muito sem graça, basicamente constituída de prédios pomposos e bem espaçados entre si, durante a interminável via reta à beira-mar.
Para finalizar o primeiro e produtivo dia, fomos à Lapa e sentamos em um boteco, onde conversamos por horas e demos risada. Eu e o Pedro ficamos revivendo histórias do Winterkurs em Berlim e contando novidades de nossas vidas. A Danusa, diferente de mim, imaginou a Lapa como um lugar chique, como a Vila Madalena. Acabou levando um choque com a diversidade cultural e social das pessoas que estavam neste bairro do centro. Eu, não sei por que, já sabia que a lapa abrigava desde mendigos e crianças de rua até playboys e jovens endinheirados. Achei legal este contraste, as pessoas ficam em pé na rua conversando e gostei particularmente dos altos arcos que cortam os bares.
No segundo dia não tivemos tanta sorte com o tempo, São Pedro nos castigou com chuvas e nuvens que estragaram totalmente nosso passeio ao Pão de Açúcar. Ainda no primeiro ponto, não conseguimos ver mais nada por causa da neblina e na travessia para o topo, os cabos de aço sumiam na brancura total, era como se eles não estivessem amarrados em lugar algum. Fiquei cabreiro com a Danusa de ela ter insistido em fazer o passeio mesmo com o mal tempo, gastamos dinheiro à toa e ficamos frustrados. Acredito que no fundo, mesmo não tendo assumido, ela aprendeu que certas coisas é melhor deixar para depois. Como o sol se recusou a sair, passamos o resto do dia num Shopping e mais a noite fomos a um cinema em Botafogo. Assistimos 3 Macacos, filme turco não muito emocionante, porém, com uma fotografia bonita. De volta ao apê, o Marlon colocou um DVD de curtas do Veit Helmer, um cineasta alemão que eu não conhecia. Não vimos todos os curtas mas gostei bastante de um de estilo bem original e experimental (como quase todos os outros que vi) que se passava na Fernsehturm.
O tempo voltou a melhorar no nosso último dia no Rio, mas, mesmo assim, na hora de pegar o trem para subir o Corcovado, fomos surpreendidos por nuvens que insistiam em esconder a estátua do Senhor. Acabamos desistindo na última hora e ficamos, novamente, frustrados. Mas pelo menos desta vez não gastamos nenhum tostão. Aproveitamos as duas últimas horas de luz para ir a Praia de Copacabana e Arpoador, parecia um formigueiro humano. Antes da tentativa de obter uma vista panorâmica da Cidade Maravilhosa, havíamos conhecido o Jardim Botânico (belíssimo!), passeado em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas e caminhado até Ipanema. À noite ficamos conversando e dando risada e fiz a prometida pizza pro Pedro e Marlon, uma assadeira de manjericão e outra de portuguesa. Ficaram ótimas, acertei em cheio na massa.
Achei o Rio totalmente diferente de São Paulo, cidade a qual estou acostumado a ir. As duas apenas se assemelham no tamanho, porém, a dinâmica, visual e opções de cada uma são totalmente diferentes. As pessoas no Rio são mais alegres e amistosas, sendo o corolário desta minha teoria o comportamento dos cobradores dos ônibus urbanos: enquanto os da capital paulista mal abrem a boca pra dar uma informação requisitada, os do Rio são sorridentes e dispostos. Achei interessante também os vários palácios que ficavam perto da casa do Pedro, resquícios da época colonial e de quando o Rio era capital federal. As favelas, também diferentemente de São Paulo, onde se localizam basicamente na periferia, estão incrustadas por toda a cidade. A da Rocinha surpreende pelo imenso tamanho e o Morro Santa Marta me chamou a atenção por ser um caso de sucesso onde o tráfico foi erradicado.
Como ficamos poucos dias, nos limitamos quase que basicamente a conhecer a Zona Sul, fomos muito pouco pra Norte. Fora a noite em que fomos pra Lapa, nosso contato com a parte mais pobre da cidade foi apenas visual, na hora em que o avião se aproximou do Rio, pouco antes de pousar no Santos Dumont. Essas imagens que tivemos, tanto no pouso como na decolagem, foram sensacionais: no dia de chegada vimos o Maracanã, a Ponte Rio – Niterói e plataformas de petróleo próximas à costa; na volta, sobrevoamos os mesmos lugares em que visitamos durante nossa estada, a Enseada de Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra e Prainha. O vôo foi muito rápido, antes de terminar de tomar minha Coca, a avião já começou a descer.
Celebrando os amigos: Serra Negra, 09/10/09
Logo após voltar de Florianópolis fui com o pessoal da sala para a famosa e bem falada Serra, na casa do Fefinha. A última vez que a turma se reuniu eu não pude ir porque estava indo ou já estava – não me lembro muito bem – em Londres. A maioria das pessoas já haviam ido na sexta-feira à noite, mas eu, Isadora, Maíra e Otávio, no carro deste, acabamos saindo no sábado cedo de São Paulo. Apesar do feriado prolongado, não pegamos muito trânsito e chegamos sem grandes problemas na casa.
O que mais me impressionou no lugar foi a vista, dando pra ver, segundo o Fefinha, umas 10 cidades da região, inclusive Campinas. Durando os três dias que por lá ficamos, fiquei bobo com essa paisagem e ela não chegou a se transformar em algo normal ou corriqueiro para mim. Ficamos várias vezes e por muito tempo, todos sentados na varanda que nos permitia apreciar o visual, sem fazer muita coisa, apenas bebendo, conversando, escutando música. Mas na verdade, é isso que costumamos fazer quando combinamos algum encontro da 3ª turma de Engenharia Ambiental da UNESP – Sorocaba. E fazemos isso muito bem!
Entretanto, esta viagem marcou por fazermos algumas coisas diferentes. No sábado à noite fomos de carro lotado (eu, Pagan, Orgut, Fefinha e Joãzinho) para a cidade de Serra Negra procurar algum divertimento mais boêmio e também as muito comentadas Cobra-mal-matada e Sífilis, gentilmente apelidadas pelos irmãos Faria. Chegamos ao local que o Fefinha conhecia e já na chegada, ainda no carro, fomos surpreendidos e abordados por um cara muito louco que, segundo suas palavras, tinha certeza que queríamos comprar de seu PÓ, esta última palavra pronunciada em alto volume e ênfase pelo meliante. Enfatizamos que não e após uma não intencional esbarrada do caboclo no retrovisor do carro, saímos do local e fomos para um outro bar que estava inaugurando. Se no primeiro dia de funcionamento já estava tão decadente, imagino como as coisas andaram no último final de semana, se é que ainda andam... Terminamos nossa noite sem nenhuma grande emoção ou divertimento, apenas com as lembranças da abordagem agressiva de um traficante desesperado, que foram repetidas vezes contadas aos que ficaram na casa.
Outra novidade nesse encontro da 3ª Turma, pelo menos pra mim, foi ficar horas a fio jogando ping-pong com o pessoal. Foi muito divertido e até campeonato fizemos, com latas de Itaipava substituindo as tradicionais garrafas de água ou isotônicos, como nas competições esportivas convencionais. Diversão sem limites!
Pra não sair do script, fizemos vários churrascos e comemos muito bem. O final de semana foi tão divertido que no último dia do feriado ficamos adiando por horas a nossa volta, com o pretexto do grande movimento das estradas. Enquanto isso, o tempo foi virando e de repente o céu estava todo escuro e a chuva começou. Parecia que o mundo iria acabar e aquele seria nosso último dia, mas a chuva não durou muito e nem foi tão forte assim. Lá pelas 9 da noite finalmente reunimos coragem para partir e eu acabei aproveitando a carona do Fefinha, que me deixou em Indaiatuba. Estou aguardando ansiosamente o novo encontro da turma!
O que mais me impressionou no lugar foi a vista, dando pra ver, segundo o Fefinha, umas 10 cidades da região, inclusive Campinas. Durando os três dias que por lá ficamos, fiquei bobo com essa paisagem e ela não chegou a se transformar em algo normal ou corriqueiro para mim. Ficamos várias vezes e por muito tempo, todos sentados na varanda que nos permitia apreciar o visual, sem fazer muita coisa, apenas bebendo, conversando, escutando música. Mas na verdade, é isso que costumamos fazer quando combinamos algum encontro da 3ª turma de Engenharia Ambiental da UNESP – Sorocaba. E fazemos isso muito bem!
Entretanto, esta viagem marcou por fazermos algumas coisas diferentes. No sábado à noite fomos de carro lotado (eu, Pagan, Orgut, Fefinha e Joãzinho) para a cidade de Serra Negra procurar algum divertimento mais boêmio e também as muito comentadas Cobra-mal-matada e Sífilis, gentilmente apelidadas pelos irmãos Faria. Chegamos ao local que o Fefinha conhecia e já na chegada, ainda no carro, fomos surpreendidos e abordados por um cara muito louco que, segundo suas palavras, tinha certeza que queríamos comprar de seu PÓ, esta última palavra pronunciada em alto volume e ênfase pelo meliante. Enfatizamos que não e após uma não intencional esbarrada do caboclo no retrovisor do carro, saímos do local e fomos para um outro bar que estava inaugurando. Se no primeiro dia de funcionamento já estava tão decadente, imagino como as coisas andaram no último final de semana, se é que ainda andam... Terminamos nossa noite sem nenhuma grande emoção ou divertimento, apenas com as lembranças da abordagem agressiva de um traficante desesperado, que foram repetidas vezes contadas aos que ficaram na casa.
Outra novidade nesse encontro da 3ª Turma, pelo menos pra mim, foi ficar horas a fio jogando ping-pong com o pessoal. Foi muito divertido e até campeonato fizemos, com latas de Itaipava substituindo as tradicionais garrafas de água ou isotônicos, como nas competições esportivas convencionais. Diversão sem limites!
Pra não sair do script, fizemos vários churrascos e comemos muito bem. O final de semana foi tão divertido que no último dia do feriado ficamos adiando por horas a nossa volta, com o pretexto do grande movimento das estradas. Enquanto isso, o tempo foi virando e de repente o céu estava todo escuro e a chuva começou. Parecia que o mundo iria acabar e aquele seria nosso último dia, mas a chuva não durou muito e nem foi tão forte assim. Lá pelas 9 da noite finalmente reunimos coragem para partir e eu acabei aproveitando a carona do Fefinha, que me deixou em Indaiatuba. Estou aguardando ansiosamente o novo encontro da turma!
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